Doutor Estranho, de Jason Aaron e Chris Bachalo: Contra Newton

É fácil entender por que, ao relançar o gibi do Dr. Estranho, a Marvel não decidiu trocar Stephan Strange por outro personagem mais novo, modernoso e de alguma minoria. A ideia, evidentemente, era ter uma série pronta para o público do filme: a editora ainda alimenta a esperança de convertê-lo aos gibis e, em tese, é mais fácil fazê-lo quando o personagem principal da série é o mesmo que as pessoas viram no cinema.

Patience, de Daniel Clowes: “Sou apenas um primata sedento de sangue?”

Daniel Clowes trabalhou em Patience por aproximadamente cinco anos. É o seu primeiro encadernado 100% novo, que nunca foi serializado em outro lugar antes de ser publicado em capa dura. Também é o seu trabalho mais novo. Ele pode não gostar do termo [eu também não; seja uma boa pessoa e não goste dele também], mas dá para dizer que essa é a sua primeira graphic novel original. 

Um Conto de Batman: Faces, de Matt Wagner e Steve Oliff: Batman vs. Foucault

Batman: Xamã, de Dennis O’Neill e Ed Hannigan, pode ter sido o primeiro Legends of the Dark Knight [a série criada no início dos noventa para trazer para os quadrinhos o público de Batman: O Filme, com arcos auto-contidos e desvinculados da cronologia] e o segundo Um Conto de Batman. Mas o arco que encapsula perfeitamente aquilo que você espera de uma LENDA [também de um CONTO] DO BATMAN é Faces, de Matt Wagner.

Moon Knight: From the Dead, de Warren Ellis, Declan Shalvey e Jordie Bellaire: Porrada

O Cavaleiro da Lua é o genérico de Batman da Marvel. Isso não é desmerecê-lo. Um dos grandes artífices de sua popularidade é Bill Sienkiewicz, que fez na primeira série própria do personagem seu primeiro grande trabalho — desenhista que começou como um Neal Adams [um desenhista que tem no Batman o seu trabalho mais popular], e no final deu tudo bastante certo para ele.

The Mocker, de Steve Ditko: Quadrinho underground objetivista

Steve Ditko é um cara com admiradores ilustres. Em In Searchof Steve Ditko, o documentário televisivo que Jonathan Ross produziu para a DC, temos uma coleção deles: o próprio Ross, Mark Millar, Joe Quesada, Neil Gaimane Alan Moore [que, aliás, usou os personagens criados por Ditko para a Charlton para escrever Watchmen]. Some Frank Miller, outro fã, à dupla final e perceba: os três quadrinistas mais importantes dos quadrinhos dos anos 80 recomendam o trabalho de um cara que… sumiu do mapa precisamente naquela década.

Black Nylon, de Daniel Clowes: Freud explica

Quando alguém fala em desconstrucionismo de super-heróis, o nome bacana que inventaram para os gibis dos anos 80/90, as referências automáticas do nerd médio são Watchmen e Cavaleiro das Trevas. É fácil perceber o por quê: best-sellers, autores consagrados, etc, etc, etc. Mas o objetivo de Alan Moore e Frank Miller nunca foi meramente destrutivo: a abordagem realista das duas histórias envolve mostrar as costuras dos uniformes, certo — mas é para desmistificá-los, não necessariamente desmoralizá-los. Não é o caso de Daniel Clowes. Não é o caso de Black Nylon. 

Prophet: Remission, de Brandon Graham, Simon Roy, Farel Dalrymple e Giannis Milonogiannis: Conan da ficção científica

Nas cinco primeiras páginas de Prophet: Remission, [uma encarnação do] personagem título acorda em um planeta exótico, vomita uma cápsula de estimulantes e arrebenta a cabeça de um bicho que é uma mistura de ALPACA com POLVO com PESADELOS com um facão-machado. É a introdução da primeira história e para a temática do encadernado em si: Prophet é o que O Senhor dos Anéis seria se fosse protagonizado pelo SPACE CONAN.

Demolidor: Amor e Guerra, de Frank Miller e Bill Sienkiewicz: Ofuscando cavaleiros heróicos

A melhor forma de começar essa resenha de Demolidor: Amor e Guerra, de Frank Miller e Bill Sienkiewicz, é te pedindo um SALTO DE FÉ. É que a primeira página do gibi retrata as suas principais características. Mas só posso colar ela depois da quebra de página para não ferrar com a formatação da postagem.Então, você aí que acessou o site pela página inicial: clica ali no “Continua na pg. 2 »”. Te garanto que o texto tá massa.