Doutor Estranho, de Jason Aaron e Chris Bachalo: Contra Newton

É fácil entender por que, ao relançar o gibi do Dr. Estranho, a Marvel não decidiu trocar Stephan Strange por outro personagem mais novo, modernoso e de alguma minoria. A ideia, evidentemente, era ter uma série pronta para o público do filme: a editora ainda alimenta a esperança de convertê-lo aos gibis e, em tese, é mais fácil fazê-lo quando o personagem principal da série é o mesmo que as pessoas viram no cinema.

Patience, de Daniel Clowes: “Sou apenas um primata sedento de sangue?”

Daniel Clowes trabalhou em Patience por aproximadamente cinco anos. É o seu primeiro encadernado 100% novo, que nunca foi serializado em outro lugar antes de ser publicado em capa dura. Também é o seu trabalho mais novo. Ele pode não gostar do termo [eu também não; seja uma boa pessoa e não goste dele também], mas dá para dizer que essa é a sua primeira graphic novel original. 

Shade, The Changing Man, de Steve Ditko: Dr. Ficção Científica

O que será que Steve Ditko achou do sucesso do filme do Dr. Estranho?Ainda que não exista nenhuma entrevista dele sobre o assunto [aliás, sobre qualquer assunto], e que seja possível que um cheque com a quantidade adequada de dígitos do lado de lá da vírgula influencie a opinião de qualquer um, o NEW FRONTIERSNERD tem um palpite: ele achou uma porcaria. É a conclusão à qual se chega lendo Shade, The Changing Man.

Cage, de Brian Azzarello, Richard Corben e José Villarrubia: Um outro Luke Cage

Com o lançamento da série do Netflix, multiplicaram-se na Internet lista de gibis do Luke Cage para apresentá-lo aos eventuais novos interessados. Cage, de Brian Azzarello, Richard Corben e José Villarrubia, estava em quase todas elas. É um fato que diz muito sobre a “carreira” do personagem nos quadrinhos: não porque Cage seja um gibi ruim [não é], mas porque as duas séries não poderiam ser mais diferentes. 

Eternos, de Neil Gaiman e John Romita Jr.: Eram os deuses super-heróis?

Joe Quesada entregou os Eternos para Neil Gaiman com um objetivo claro: integrar os personagens de Jack Kirby, criados no auge de sua fase épico-cósmica, no Universo Marvel. É um fato que pode ser percebido dentro [o Homem de Ferro é um dos principais coadjuvantes da minissérie, que faz contínuas referências à saga Guerra Civil] e fora do gibi [Gaiman falou em diversas entrevistas sobre a missão.

Um Conto de Batman: Faces, de Matt Wagner e Steve Oliff: Batman vs. Foucault

Batman: Xamã, de Dennis O’Neill e Ed Hannigan, pode ter sido o primeiro Legends of the Dark Knight [a série criada no início dos noventa para trazer para os quadrinhos o público de Batman: O Filme, com arcos auto-contidos e desvinculados da cronologia] e o segundo Um Conto de Batman. Mas o arco que encapsula perfeitamente aquilo que você espera de uma LENDA [também de um CONTO] DO BATMAN é Faces, de Matt Wagner.

Monster, de Naoki Urasawa: Individualidades

Existe uma percepção geral que Monster, de Naoki Urasawa, foi bem recebido pela crítica. Olhando de perto, no entanto, você percebe que a crítica positiva ao mangá, pelo menos no ocidente, é minoritária, e costuma ser do tipo “resumo+gostei, é tenso”. Por motivos de regra 34, também tem bastante fanfic pornô gay. Não sei se isso conta como crítica positiva, hoje em dia.