O Homem de Ferro de Gene Colan: Transistores detonados, realismo detonante

O Homem de Ferro não é o trabalho mais marcante de Gene Colan na Marvel da Era de Prata — Daredevil e Tomb of Dracula, discutivelmente o Dr. Estranho, estão na frente. O que diz muito sobre Gene Colan: em dois anos, entre Tales of Suspense #73 [janeiro de 1966] e Iron Man #1 [maio de 1968], o artista se tornou um dos principais desenhistas do personagem — a armadura do período, amarela, vermelha e cheia de círculos [aí do lado, na capa do gibi], por exemplo, é A Armadura Clássica do Homem de Ferro. E como ele fez tudo isso? A resposta curta é SENDO MUITO MESTRE. A longa: com uma proposta estética que dava para uma versão turbinada da espetacularidade que você espera de uma aventura de super-heróis uma CASCA realista.

O Reino do Amanhã, de Mark Waid e Alex Ross: O domínio dos medíocres

Muitas pessoas já descreveram para ti O Reino do Amanhã, minissérie da DC, publicada em 1996 [e agora relançado pela Panini em uma “edição definitiva”] e de CREDIBILIDADE CULTURAL, como uma resposta saudosista de Mark Waid, fã da Era de Prata, ao cinismo dos heróis do início da década de 90, desenhada por um Alex Ross que é um gênio da renascença revivido e dedicado aos quadrinhos.

Demolidor #2, de Mark Waid, Paolo Rivera, Emma Rios, Kano e Koi Pham: Bonito, colorido, afirmativo

Daredevil #7, a história que abre Demolidor #2, da Panini, é uma conseqüência direta do PARADOXO das histórias que lhe antecederam. Conforme você, NEO-NERDISTA, leu aqui, a premiada série de Mark Waid começou como uma mistura de NOSTALGIA MARVELITA e APPROACH POLITICAMENTE CORRETO: sustentado em aventuras que seguem o esquema herói x vilão colorido, confrontos com outros mocinhos da editora e cenas de ação periódicas, Waid transformou o Demolidor em um defensor dos MINORITÁRIOS e OPRIMIDOS – tudo muito bem desenhado por Marcos Martín e Paolo Rivera.

Os Homens-Aranha de Steve Ditko: Essential Spider-Man vol. 1 e 2

Existe um antes e depois de Steve Ditko na história do Homem-Aranha. O paradoxo só é aparente: ainda que Ditko seja o primeiro desenhista regular do personagem, ele o encontrou assim para devolvê-lo assim.As diferenças entre as duas imagens superam a PISTOLA DE TEIAS: ao contrário da primeira versão, de Jack Kirby [pelo que se diz, uma versão genérica de The Fly, personagem que o rei co-criou com Joe Simon], o Homem-Aranha de Ditko parece um adolescente escorregadio e ameaçador, não um ícone sólido e inspirador.

Arma X, de Barry Windsor-Smith: O pesadelo de Logan

Não deixa de ser surpreendente que tão pouco de Arma X, a história do Wolverine escrita, desenhada, colorida e letrerizada por Barry Windsor-Smith, tenha sido tão pouco usada na versão do personagem para o cinema — e, em grande parte, desconsiderada em sua cronologia dos gibis. Pra você aí que só assistiu Wolverine: Imortal e tá perdido, não tenho como colocar isso em meias-palavras: essa é a melhor história do personagem de todos os tempos.

Holy Terror – Terror Sagrado, de Frank Miller: Jack Kirby e Jackson Pollock, Velozes e Furiosos

A primeira vez que eu vi a edição da Panini de Holy Terror – Terror Sagrado, a vilipendiada resposta de Frank Miller para os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, foi em uma das estantes da Multiverso Comic Con, a convenção de nerdismo porto-alegrense. Ao meu lado, alguém expressou a sua inequívoca incredulidade através de um sonoro “não acredito que eles tiveram coragem”. “Eles”, no caso, eram os editores da Panini, como se publicar um dos últimos [e mais polêmicos] gibis de um dos principais artistas do gênero fosse algum tipo de JOGADA EDITORIAL INVEROSSÍMIL.