OS X-MEN E O VIÉS DA CONFIRMAÇÃO

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“Os X-Men são uma alegoria sobre preconceito contra os gays”. Você deve ter lido isso umas mil vezes. É um dos motivos pelos quais Martin Lund escreveu um artigo no European Journal of American Studies usando os personagens como exemplo de “viés de confirmação” -- a tendência de se interpretar informações de forma a se confirmar a hipótese inicial.

Para mostrar que todas as histórias dos X-Men não cabem na mesma categoria, Lund explica a relação dos gibis mutantes com outros fatores em cinco momentos diferentes de sua história. Começa pelos gibis iniciais, de Stan Lee e Jack Kirby. Em uma tendência que é continuada por Roy Thomas quando ele substitui Lee nos roteiros da série, os X-Men originais eram sobre a Guerra Fria.

Os melhores exemplos são as histórias de X-Men #4 e X-Men #17-18, nas quais “Magneto usa o que era percebido como táticas do ‘comunismo internacional’: infiltração, derrubada de um governo legítimo, supressão das individualidades e da espontaneidade, exploração e subjugação da população”.


Na mesma fase original, outro tema recorrente é o “compromisso com a sociedade” e o anti-fanatismo: “os X-Men originais parecem defender um tipo de liberalismo racial pacífico que era comum entre os ativistas por direitos civis judeus, enquanto que os mutantes malignos representam o Black Power e outras formas emergentes de ativismo radical” [ainda que isso aconteça “sem inspiração direta” em Martin Luther King e Malcom X]. Bons exemplos estão nas histórias de Arnold Drake e Gary Friedrich.


O resto dos exemplos são da fase de Chris Claremont nos roteiros do gibi. Ele faz de X-Men uma história sobre “crise existencial” e aceitação da própria identidade: “A luta dos X-Men para dar sentido frequentemente espelham as nossas buscas por autenticidade”. O exemplo principal é a Tempestade: “ao longo da fase de Claremont, o arco do personagem teve o foco na sua busca por ela própria, e em permanecer fiel a si mesma”.

Lund termina falando sobre as histórias que Claremont escreveu sobre perseguição a mutantes, principalmente Dias de Um Futuro Esquecido e Deus Ama, o Homem Mata, e sobre a forma que ele usa o Holocausto para caracterizar Magneto [“uma tragédia pessoal sentimentalizada que aprofunda o cenário do personagem e motiva a perda da esperança, transformação para o mal e busca por redenção”]. [QUADRINHOS]

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