MARVEL 2099 EM RETROSPECTIVA

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O Universo Marvel 2099 andou dando as caras novamente. No The Geekverse, Zedric Dimalanta aproveitou a oportunidade para escrever uma longa retrospectiva, misturando história e crítica, do selo original. Ela se divide em seis partes [uma sobre a origem da ideia, as outras cinco sobre os principais personagens e séries] e se concentra, apenas, na fase em que Joey Cavalieri foi o editor -- a única que interessa.

Dimalanta mostra a origem do selo 2099, na primeira parte, no projeto The Marvel World of Tomorrow, que emparelharia John Byrne e Stan Lee, provavelmente em uma versão futurística de Nick Fury e a SHIELD. Byrne acabou caindo fora [reaproveitando algumas ideias em John Byrne’s 2012] e o futuro da Marvel foi remodelado por Tom DeFalco, Mark Gruenwald, Bob Harras, Ralph Macchio e Fabian Nicieza

Na segunda parte, ele fala de Ravage 2099 e Homem-Aranha 2099. O primeiro, se pode especular, é o resultado “de um saque sobre o que restou do The Marvel World of Tomorrow, tirando as contribuições do Byrne”. É, no entanto, um fracasso: “passa a impressão de que é um escritor cujas sensibilidades narrativas e estilísticas estão fundadas em uma era anterior, e a mensagem ambientalista forçada não ajuda”. Sobre o segundo, tudo que você precisa saber está aqui.

Depois, Dimalanta comenta Destino e Justiceiro 2099. Escrita por John Francis Moore, Destino 2099 é interessante pelo “alcance literário de seus temas e de sua estrutura”: “Moore é claro na inspiração para a narrativa maior de Destino 2099”, citando Henry V, de Shakespeare nas quatro primeiras edições. Moore é substituído por Warren Ellis, que troca Henry V por Macbeth. O auge é One Nation Under Doom, um dos melhores crossovers dos anos 90. Já Justiceiro 2099 é um remake de Marshal Law, série da Epic Comics do seu escritor, Pat Mills.


John Francis Moore também escreveu X-Men 2099 [os desenhos são de Ron Lim], e soube se valer da “distância temporal dos dias atuais” para “desviar dos clichês étnicos cansativos do design dos personagens do século XX”. Não soube, no entanto, “resolver as subtramas da série, talvez em uma tentativa de imitar o estilo de Claremont”.

A quinta parte é sobre 2099 Unlimited, a antologia de histórias ambientadas no universo 2099, e Hulk 2099, que surgiu naquela mesma revista e ganhou uma série própria “no pior momento possível”. 2099 Unlimited é “um dos gibis da Marvel mais estilisticamente diversos e genuinamente interessantes dos anos 90”, o “mais próximo que a editora chegou de criar algo como a antologia de ficção científica britânica 2000 AD”.


A última parte da retrospectiva é dedicada ao “furioso” Ghost Rider 2099, “especialmente dedicado a explorar as implicações filosóficas e sociais da tecnologia futurística”, sob grande inspiração do escritor cyberpunk William Gibson. [QUADRINHOS]

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