DAVE GIBBONS: “SE EXISTE UM DEUS PARA WATCHMEN, PARA MIM ELE SERIA HARVEY KURTZMAN”

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Andrew Colman entrevistou Dave Gibbons para o livro Studio Space. Isso foi em 2006. A Tripwire Magazine, agora, desencavou a entrevista e publicou ela na integra no seu site, dividida em três partes. Dá umas vinte páginas, quase um quarto delas para falar de Watchmen.

A primeira parte é mais autobiográfica: Gibbons fala dos primeiros gibis que leu, do momento em que decidiu se tornar um desenhista, os seus primeiros trabalhos na 2000AD: “a 2000AD era um híbrido de gibis americanos e britânicos, mas as coisas que eles nos mostravam eram americanas. Eles diziam 'é isso que queremos' em relação aos layouts. Encapsulava o que eu, Steve Parkhouse, Kevin O’Neill e John Wagner queríamos fazer com os quadrinhos. Nós eramos uma geração que cresceu lendo gibis, e nós não enxergávamos eles como um ponto de partida para outros tipos de trabalhos, como ilustrações em revistas e 'escrita de verdade'”. Também fala de sua amizade com outro grande quadrinista britânico que lhe é contemporâneo, Brian Bolland.


É na segunda parte que ele fala de Watchmen. É muita informação. Sobre a grade fixa: “sempre me impressionou a moldura dos artistas europeus, usando uma grade fixa, além do que Steve Ditko fez no Homem-Aranha e o que Harvey Kurtzman conseguiu com os gibis de guerra da EC. Além disso, existe uma força em fazer algo com uma grade regular, uma sensação quase hipnótica. Claro que Alan Moore se deu conta de que, em relação a Watchmen, isso daria para ele um controle tremendo sobre o ritmo da história, a previsibilidade de como as coisas seriam, como apareceriam na página, etc”.


Contos do Cargueiro Negro, o gibi dentro do gibi: “O negócio dos piratas foi eu que coloquei na mistura. Alan estava pensando na história e nas suas ramificações filosóficas, e eu estava mais interessado em saber como fazer o mundo ser real. Fiz uma lista de coisas, como que tipo de música eles teriam, que tipo de gibi eles iriam ler, e eu disse para o Alan 'eles não iriam ler gibis de super heróis, o que eles iriam ler?', e pensei em gibis de pirata. E, claro, Alan pegou isso e transformou em algo no qual eu não teria sonhado em um milhão de anos”.

Na terceira parte, Gibbons fala sobre Give Me Liberty [roteiros de Frank Miller] e The Originals [roteiros do próprio Gibbons]. Também fala sobre a sua rotina de trabalho [se prefere trabalhar sozinho, escutando música, se segue um cronograma, etc] e mais um pouco sobre Watchmen: “uma coisa que os artistas europeus fazem, e eu tentei fazer um pouco em Watchmen, e isso acontece muito pouco nos quadrinhos americanos,  é que eles desenham de uma forma muito realista, mas mesmo assim os personagens parecem humorísticos, se não caricaturas”. [QUADRINHOS]

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