STEVE DILLON

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A notícia dominou a internerd no final de semana: Steve Dillon, o desenhista britânico, faleceu subitamente aos 54 anos de idade. Dillon era conhecido principalmente pela sua parceria com o roteirista Garth Ennis, o escritor irlandês. 

Os dois eram grandes amigos e foram responsáveis por Preacher, uma das séries responsáveis por tirar a Vertigo do mundo das fadinhas no pós-Sandman. Por isso, você deveria ler essa entrevista que Ennis e Dillon deram para S.L. Osborne, do Sequential Tart. Era setembro de 1998. Foi em um bar e Osborne estava meio bêbado.

Cheers.

Dillon nasceu em Luton, na Inglaterra, em 1962. Começou a trabalhar com quadrinhos na Marvel UK, aos 16 anos. Depois de passar pelas tradicionais séries Warrior e 2000AD, Dillon e Brett Ewins lançaram uma revista juntos: a pré-britpop Deadline, misturando quadrinhos autorais e rock britânico. 

Um dos seus primeiros trabalhos de destaque nos EUA foi Skreemer, no início dos anos 90, onde arte-finalizou [com uma mão pesada] o traço de Ewins. Foi emparelhado com Ennis, que se tornaria o seu principal colaborador, na tradicional Hellblazer no início de 1992. Preacher começou em 1994. A partir daí, é fama [e, recententemente, fortuna, com a série de TV da AMC].


Dillon também desenhou várias séries para a Marvel, mas já nos anos 2000. Repetiu a parceria com Ennis em Justiceiro, em uma das fases mais conhecidas do personagem. Mais recentemente, desenhou PunisherMAX [com roteiros de Jason Aaron].

Como eu comentei aqui, a principal característica do traço do Dillon é a ironia: ele desenha cenas hiper-violentas, sim, mas com uma cara de desenho animado. É um Papaléguas mais gore. 

Na entrevista de Osborne, tanto Ennis quanto Dillon falam sobre a vida extra-quadrinhos. Ennis: “quando termino de escrever o que tinha para fazer no dia, não tenho interesse em sentar e falar sobre quadrinhos. Se encontro amigos como Johnny [McCrea] ou Steve [Dillon], o tipo de amigos que eu fiz na indústria e que não considero menos do que amigos, mas evidentemente pelo fato de que eu conheço eles pela indústria, é diferente. Mas é apenas uma das várias conversas que você tem com amigos”.

Dillon vai pela mesma linha: “É uma carga de trabalho de 12 horas por dia. A última coisa que você quer fazer quando acaba é ler gibis. É o que Garth estava dizendo. Você trabalha e depois faz algo completamente diferente”. [QUADRINHOS]

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