DAVID MAZZUCCHELLI: “MAIS REALISTA E MAIS ABSTRATO”

* * * *
Hoje é aniversário de David Mazzucchelli. Responsável pelo desenho de Batman: Ano Um e Born Again, e um dos meus desenhistas de super-heróis favoritos, está fazendo 56 anos. É propício que eu tenha na manga, portanto, esse artigo de Luis Miguel Lus Arana, disponível no site Homines. Originalmente publicado na revista de arquitetura Aequus, o que o basco Lus Arana faz é contar, com um pouco de análise crítica, a carreira de Mazzucchelli nos quadrinhos. 

O artigo se chama “El Naturalismo expresionista” e é dividido em três partes. Na primeira, Lus Arana faz um apanhado da biografia de Mazzucchelli. David John Mazzucchelli, como H. P. Lovecraft, nasceu em Providence, a capital de Rhode Island. Aos 18 anos, começou a frequentar a Rhode Island School of Design. Lá, redescobriu os quadrinhos de super-heróis [que abandonara aos 11 anos de idade] e conheceu Richmond Lewis [que depois se tornaria a sua esposa e colorista frequente].

Ao sair de lá, começou a trabalhar para a Marvel: desenhou uma edição de Master Of Kung-Fu [#121, no início de 1983, arte-finalizada por Vince Colletta], uma de The Further Adventures of Indiana Jones [#14, no ano seguinte], uma edição de uma das séries de Guerra nas Estrelas arte-finalizado por Tom Palmer] e Marvel Team Up Annual #7 [arte-finalizado por Bret Breeding]. 

Foi Bob Budiansky que viu isso e decidiu dar uma chance para Mazzucchelli na série do Demolidor. A sua primeira edição foi a #206. Ficou na série por apenas 25 edições. O suficiente, na época, para torná-lo o terceiro desenhista da série que mais edições desenhou [atrás de Gene Colan e Frank Miller].


Também foi o suficiente para colocá-lo como desenhista de Born Again, quando Miller substituiu Dennis O'Neil nos roteiros da série. Como nos diz a história, deu certo. Os dois levaram a parceria para a DC, onde reescreveram a origem do Batman em Ano Um [entre 1986 e 1987]. São dois dos melhores gibis de super-heróis que você pode ler.

Depois de Ano Um, Mazzucchelli reduziu o ritmo: dali até o final da década de oitenta, somente desenhou X-Factor #16 [1987] e uma história curta para a revista Marvel Fanfare #40 [Chiaroscuro, em 1988, escrita por Ann Nocenti]. Formou uma banda e tirou um ano meio sabático.


Voltou para os quadrinhos, mas não para os super-heróis: em 1991, enviou uma história [Near Miss] para Art Spiegelman, com o objetivo de que ela fosse publicada pela RAW. Foi recusada, o que levou Mazzucchelli a criar a Rubber Blanket, onde começaria a publicar as suas histórias. Spiegelman, no entanto, se manteve como um contato valioso: foi ele que apresentou o desenhista para Paul Karasik. Juntos, os dois adaptariam para os quadrinhos o livro City of Glass, de Paul Auster.

Spiegelman também fez de Mazzucchelli um colaborador frequente da The New Yorker [onde o quadrinista de Maus ainda trabalha]. Também foi Spiegelman que convidou ele a colaborar com a antologia infantil Little Lit [que chegou a ser publicada no Brasil pela Conrad], em 2000. Na mesma época, Mazzucchelli engatou um tour pelo japão, convidado pela Japan/U.S. Friendship Commission Creative Artist Fellowship. Ficou por lá seis meses. No período, publicou Still Life [na revista Zero Zero #27] e The Boy Who Loved Comics [The Comics Journal Special #1].

De volta aos EUA, se dedicou ao ensino [é professor da Rhode Island School of Design e School of Visual Arts de Nova Iorque]. A carreira de professor foi brevemente interrompida para o lançamento da excelente Asterios Polyp, a sua primeira hq longa em décadas.

Na segunda e na terceira parte, Lus Arana é mais analítico. Na II, ele vai do início da carreira de Mazzucchelli até Born Again. É um período no qual o seu traço vai do “realismo clássico”, “imitando com sucesso o estilo de Gene Colan”, ao naturalismo: “ele se torna simultaneamente mais realista e mais abstrato. Chester Gould, Jesús Blasco, Alex Toth... os grandes das hqs noir serão incorporados, depois de destilados, a um trabalho obrigatoriamente escuro, de traços grossos, mas ainda surpreendem ente detalhado e até mesmo detalhista”.

A terceira parte fala basicamente de Ano Um. Nela, o próprio Miller é mais eloquente que Lus Arana: “Tem um nível de textura e credibilidade que David coloca no seu trabalho que me convence constantemente de que o que eu estou lendo, está acontecendo. Em Batman: Ano Um ele converteu em tridimensionais cada um dos personagens, faz crível cada situação”. [MEMÓRIA] [QUADRINHOS]

Nenhum comentário: