ALFREDO ALCALA: DOZE PÁGINAS EM NOVE HORAS

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Michael Clarke, do Comics, Cartoons and Criticism, usou o exemplo dos “komiks” filipinos para falar da “utilidade do conceito de escolas nacionais de quadrinhos”. O artigo é de 2014, mas é conveniente agora: ainda que Clarke fale brevemente de Ernie Chan e Jesse Santos, o foco principal é Alfredo Alcala, que hoje faria 91 anos.

Alcala nasceu em 23 de agosto de 1925 em Talisay, na província de Negros Ocidental, nas Filipinas. Começou a desenhar ainda adolescente -- fazia placas publicitárias e, durante a Segunda Guerra Mundial, mapas das casamatas japonesas para as forças Aliadas: foi uma espécie de espião-mirim-voluntário.

Em 1948, começou a desenhar komiks para a Ace, principal editora de quadrinhos das Filipinas. Na época, sem qualquer assistente, se tornou conhecido pela velocidade: chegou a desenhar 12 páginas em 9 horas. Se tornou um dos quadrinistas mais conhecidos das Filipinas, inclusive ganhando uma revista com o seu nome: a Alcala Komix Magazine. O personagem Voltar foi o seu maior sucesso por lá.


Nos anos 70, como diversos outros artistas filipinos, foi contratado pela DC. Produzia 40 páginas por mês e já em 1976 se mudou para Nova Iorque. Sempre em ritmo acelerado [dizem que ele não dormia em camas, só no chão ou sobre a sua mesa], Alcala passou por um leque amplo de quadrinhos: Batman, Hellblazer, as séries da editora Warren, Howard the Duck, Conan... É principalmente conhecido como o arte-finalista de grande parte do Swamp Thing de Alan Moore, um dos grandes responsáveis pela cara gótica da série.


O seu estilo é explicado, ao menos em parte, pelo artigo de Clarke: conforme ele diz, “os artistas de komiks usavam um traço amplamente diferente de suas contra-partes americanas”, “já que trabalhavam com um sistema de reprodução que, na maioria dos casos, produzia imagens monocromáticas em preto e branco com toques de vermelho”.

Os artistas de komiks “acabaram desenvolvendo um estilo muito mais ilustrativo que o americano”: “se apoiavam muito mais em traços detalhados e pincéis na arte final”, “se sobressaindo na narrativa silenciosa, desacompanhada de narração verbal” e “escolhendo a imagem mais reveladora para mostrar a ação” [em um estilo que emulava “ilustradores mais clássicos e a estética dos posters” e que “transmitia a ação através de quadrinhos solitários e poderosos”]. [MEMÓRIA] [QUADRINHOS]

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