ALAN MOORE: “LOVECRAFT TINHA ESTÔMAGO FRACO”

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Providence é a “terceira e melhor fase” que Alan Moore faz do universo mitológico criado por H. P. Lovecraft. É isso que Andrea Tosti te explica nessa resenha do Fumettologica.

A primeira fase da exploração é The Courtyard [roteiros de Antony Johnston e desenhos de Jacen Burrows], onde Moore “começou a cavar a superfície da retórica lovecraftiana, principalmente sobre como essa era transmitida e pregada pelos seus admiradores, destacando parte de sua natureza problemática, mas ao mesmo tempo reduzindo à essência os arquétipos e ideias, exaltando os elementos mais originais”.


A segunda é Neonomicon [desenhada por Burrows], “o primeiro ataque verdadeiro do escritor à fortaleza lovecraftiana”. Nas palavras do próprio Moore, citado por Tosti: “Em Lovecraft, o terror é físico, por isso queria inserir de novo esse fator. Lovecraft também era fraco de estômago, onde ele acenava apenas com 'certos rituais inomináveis', as vezes usava eufemismos como 'ritos blasfemos', era bastante evidente que o sexo devia ter algum papel nisso. Mas nas histórias de Lovecraft nunca aparece nada, sempre é disfarçado. Então eu pensei, vamos colocar para dentro todas aquelas porcarias raciais desagradáveis, vamos colocar o sexo”.


Providence [de novo com Burrows] segue essa linha, de uma forma que “não é apenas bem sucedida, como também é um dos melhores gibis do Moore nos últimos anos”. [QUADRINHOS]

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