PAUL RYAN: "FUI AFASTADO SEM QUALQUER CERIMÔNIA"

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No último domingo, conforme ontem revelou o seu primo no Facebook, faleceu o quadrinista Paul Ryan. Nascido em 23/9/1949, em Massachusetts, Ryan começou a trabalhar com quadrinhos meio tarde: o seu primeiro emprego na área foi como assistente de Bob Layton em 1984, quando ele já tinha 35 anos.

Dois anos depois, começou a desenhar a série regular do Esquadrão Supremo. Os roteiros eram do já falecido Mark Gruenwald. A parceria se repetiu ainda em D. P. 7, para o New Universe da Marvel. 

O seu estilo limpo e clássico [lembra a segunda geração de desenhistas de super-heróis; pense em um Dan Jurgens oitentista, ou um George Pérez menos brega] deve ter feito sucesso dentro da editora: em 1987, desenhou o casamento de Peter Parker e Mary Jane em The Amazing Spider-Man Annual #21. Logo depois se tornou desenhista regular de The Avengers, Quasar [seis edições], Avengers West Coast, Iron Man e, para o que nos interessa na postagem de hoje, Fantastic Four.

The Avengers #329


Ryan chegou à série do Quarteto em um momento polêmico: Steve Englehart largou a série batendo a porta em Fantastic Four #333, frustrado com as decisões editoriais que queriam que os personagens ficassem “congelados” no tempo, freando o avanço da continuidade. Foi substituído por Walt Simonson, que debochou abertamente do problema. Quem assumiu os roteiros ao lado de Ryan foi Tom DeFalco, Editor-in-Chief de uma Marvel mergulhada no caos.

A fase de dupla ficou conhecida como uma das piores da história do Quarteto. A culpa é principalmente dos roteiros de DeFalco [que foi apelidado pelos fãs de “The Evil One”], que desfez grande parte das mudanças introduzidas na série [como, por exemplo, o casamento de Johnny Storm com Alicia Masters, introduzindo a skrull Lyja na equação], e entupiu a série de elementos tipicamente noventistas.

Uniforme cheio de bolsos. Sue Storm de maiô.


Nessa entrevista no [agora offline, mas disponível no Wayback Machine] site FF Plaza, Ryan comentou esses problemas: “um dos problemas que eu enfrentei eram o atraso nos roteiros. Tom estava simplesmente ocupado demais com outros projetos, para não falar de suas obrigações como Editor-in-Chief. Outro problema era a mudança nas tramas. As histórias que nós discutíamos e que eu gostava frequentemente eram modificadas. Acho que o Tom perdia muito tempo duvidando de si mesmo. Lyja e Johnny supostamente teriam um filho, e eu fiquei chocado e desapontado quando Tom transformou a criança em um implante artificial que abrigava um monstro”.

É que DeFalco estava enfrentando uma guerra nos bastidores: a sua posição foi diluída entre cinco outros editores; o departamento de vendas ganhou grande influência sobre as decisões criativas. 

Os dois acabaram sendo demitidos para dar lugar a Heroes Reborn: “foi uma surpresa desagradável. Descobri pela Internet que tinha perdido o Quarteto. Tom e eu, supostamente, trabalharíamos até a edição 416. Nos disseram para acabar com o nosso arco o quanto antes. Os poderes-que-são tiveram a idéia de atrair Jim Lee de volta para a Marvel para reconquistar as vendas perdidas. Jim queria o Quarteto. Marvel deu isso para ele passando por cima do Editorial. Editorial decidiu que eles poderiam fazer uma série no estilo da Image sem Jim Lee. Assim, fui afastado sem qualquer cerimônia das edições 415 e 416, que foram entregues para Carlos Pacheco”.

Foi aí que Ryan, o terceiro desenhista que mais edições fez para a série do Quarteto Fantástico [atrás apenas de Jack Kirby e John Byrne], saiu da Marvel e foi para a DC. Lá, desenhou o Super-Homem [Superman: The Man of Tomorrow] e a série principal do Flash. 

No início dos anos 2000, deixou os gibis mensais de super-heróis e começou a desenhar o Fantasma. Em 2005, se tornou o artista regular da tira diária; em 2007, também da página dominical. Foi o seu último trabalho. Ryan morreu aos 66 anos. As causas da morte não foram divulgadas. [MEMÓRIA] [QUADRINHOS]

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