MASTER RACE, DE BERNARD KRIGSTEIN: “EXPERIÊNCIA ARTÍSTICA MEMORÁVEL”, DIZ ART SPIEGELMAN

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Não deu para fazer a retrospectiva, mas o retorno do NFN será em grande estilo. Já falei aqui de The Master Race, história de Bernard Krigstein publicada na revista Impact #1. Teve uma vez que postei a integra da história acompanhada de uma resenha de Ng Suat Tong [do Hooded Utilitarian], que partia de um artigo que Art Spiegelman escreveu sobre ela em 1975 na revista Squa Tront

Dessa vez, o link te leva para o próprio artigo publicado na Squa Tront, escrito por Spiegelman, John Benson e David Kasakove. Ele estava lá, dando sopa, no blog de Michael Sporn. Nele, o trio diz que Krigstein consegue “levantar a história do contexto de gibi com twist narrativo final e transformá-la em uma experiência artística memorável”, em grande parte por se utilizar de um estilo que é “a antítese da narrativa em quadrinhos padrão”. O que segue é um “exame” quadrinho a quadrinho da história.

O momento é propício para recuperar a análise: a Impact #1, da editora EC, chegou às bancas em janeiro de 1955. O pior ano possível para se lançar uma revista. The Master Race, na época de seu lançamento, não chamou a atenção: a Impact foi prontamente engolida pela controvérsia que levou à criação do CCA. Somente foi resgatada por Spiegelman, Benson e Kasakove.

Krigstein [nascido em 22/3/1919, em Nova Iorque] foi um dos primeiros quadrinistas americanos com formação em Artes. Chegou ao meio pela porta dos fundos [pobre, não conseguiu se sustentar como pintor impressionista] e a contragosto: enxergava o trabalho como um rebaixamento. Trabalhar em uma shop, ambiente de produção em massa de histórias típico do início dos quadrinhos, não ajudava.

Depois da Segunda Guerra, no entanto, teve um clic: tentou [sem sucesso] criar um sindicato de quadrinistas, passou a estudar o trabalho de seus colegas [de Hal Foster a Jack Kirby] e passou a enxergar os gibis [e eu estou falando de gibis mesmo, não tiras de jornal] como um meio de expressão pessoal. A partir daí, se tornou um admirador do meio. 

Em 1953, convidado por Harvey Kurtzman, chegou à EC Comics: a editora, que respeitava as características individuais de seus desenhistas, se transformou em uma casa para Krigstein. Esse começou a explorar novas formas narrativas com o objetivo de explorar o potencial dos quadrinhos como... quadrinhos -- considerava o modelo realista, cinematográfico e desprovido de piruetas formais de Milton Caniff e Terry e os Piratas, padrão para os gibis americanos na época, uma “abominação”.

Não conseguiu, no entanto, levar a sua proposta adiante: sempre esteve limitado às histórias curtas. Frustrado, e com as restrições autoimpostas pelas editoras após a criação do CCA, Krigstein se aposentou dos quadrinhos em 1958, aos 36 anos. Se tornou ilustrador comercial e, finalmente, professor na High School of Art and Design, em Manhattan. Faleceu em 8/1/1990, aos 70 anos: não só é o aniversário de The Master Race, portanto, como também é o de seu falecimento.

Não é por acaso, portanto, que Spiegelman, tenha examinado [na “forma e conteúdo visual”] uma de suas principais histórias, quadrinho a quadrinho: Maus, outra hq sobre o Holocausto, foi uma das pedras fundamentais das atuais graphic novels -- a culminação da visão de Krigstein para o meio.  [MEMÓRIA] [QUADRINHOS]

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