ALAN MOORE, SOBRE PROVIDENCE: “É A MINHA HISTÓRIA DEFINITIVA SOBRE LOVECRAFT”

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Ao longo do ano passado, o Bleeding Cool publicou três entrevistas de Hannah Means Shannon com Alan Moore. Eles conversaram sobre Providence, a série sobre H. P. Lovecraft publicada pela Avatar Press e desenhada por Jacen Burrows que chegou até a #6 edição no ano passado [a #7 tem lançamento previsto para fevereiro; recomendação: o blogue Facts in the Case of Alan Moore's Providence, de Joe Linton e Robert Derie]. 

Na primeira, publicada em março e anterior à primeira edição da série, Moore falou dos motivos pelos quais é um bom momento para a série. O principal: “a incrível quantidade de idéias sobre Lovecraft e o entendimento novo sobre ele que começou a surgir mais ou menos nos anos 80”, e que “está chegando ao máximo agora”. 

Anedota: diz Moore que Gardner Fox, o escritor da Era de Ouro/Prata, era um fã de Lovecraft -- daí que Starro, o primeiro vilão da Liga da Justiça, seja isso aqui:



Não suficiente, Julie Schwartz, editor da DC, foi “um dos agentes de H. P. Lovecraft e vendeu At the Mountains of Madness para a revista Astounding Stories”.

A segunda entrevista, de abrill, também é anterior à primeira edição. Nela, Moore fala sobre a escolha do protagonista da série, Robert Black, um jornalista judeu e gay: a idéia era ter um protagonista “outsider” [“uma idéia central na ficção de Lovecraft, e também na imagem que ele tinha dele mesmo”]; “precisavamos de um jornalista, parecia o tipo de profissão que levaria facilmente ao tipo de narrativa que eu estava imaginando”; “são características que ressoam de forma interessante com alguns dos preconceitos de Lovecraft”.

A terceira entrevista é de agosto e foi publicada pouco antes do lançamento de Providence #4. É mais genérica: Moore fala sobre Lovecraft, seu impacto na cultura e algumas interpretações críticas à sua obra e a relação dessa com movimentos ocultistas reais: Lovecraft, que era ateu e racionalista, intencionalmente tentava “conectar as suas histórias com a realidade”, pensando nelas como “rumores falsos”. “Ele sempre dizia que uma história de terror perfeita deve ser construída como se constrói um rumor falso no qual você quer que todos acreditem”. Dizer que existem formas de contatar os seus monstros interdimensionais, portanto, “é uma forma inofensiva de cosplay astral”. [QUADRINHOS]

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