MASAMUNE SHIROW: “CIÊNCIA E TECNOLOGIA ESTÃO SE TRANSFORMANDO EM MÁGICA”

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Masamune Shirow, o mangaka que criou Ghost in the Shell, faz 54 anos de idade hoje. É um bom momento para lembrar de uma entrevista que ele deu para Frederik L. Schodt, escritor de Manga! Manga! The World of Japanese Comics e um dos pioneiros da divulgação de mangás no ocidente [o livro, por exemplo, é de 1983]. Originalmente encomendada pela revista Wired no início de 1998, a entrevista com o mangaka [conhecido por ser um recluso] só foi sair de forma resumida na Manga Max no final daquele ano. Atualmente, a versão integral se encontra no site de Schodt, o Jai².

Shirow foi um dos primeiros quadrinistas japoneses a seguirem a trilha de Katsuhiro Otomo nos mangás de ficção científica cyberpunk -- só que com mais technobabble e protagonistas volumosas. Black Magic M66, seu primeiro mangá, é de 1983 e foi auto-publicado. Appleseed, seu primeiro trabalho profissional, e mais denso: meio mecha e meio cyberpunk, é cheio de comentários sociológicos/filosóficos, mas sem se levar muito a sério. Ganhou o prêmio Seiun [o prêmio Hugo japonês] em 1986.

Tudo isso aconteceu enquanto ele era professor de arte no ensino médio. Da mesma época é o seu grande sucesso, Ghost in the Shell: de novo, é denso sem ser sério e recheado de technobabble. Deu início a uma franquia: além do filme de Mamoru Oshii [e as suas continuações], derivaram de GITS séries de TV [Stand Alone Complex, Solid State Society, Arise], videogames [em 1997 e em 2004, para o PS e o PS2] e um liveaction iminente [protagonizado por Scarlett Johansson].

No entanto, Ghost in the Shell, o filme de 1995, é mais Oshii do que Shirow: o mangaka se tornou um autor mainstream primeiro no Ocidente do que no Japão, e o filme foi feito pensando no mercado ocidental [inclusive foi financiado pela californiana Manga Entertainment]. Daí a trilha sonora com música do U2, o climão Blade Runner e a extirpação do senso de humor de Shirow.

A entrevista começa lenta, mas rapidamente Shirow se torna mais falante. A pergunta que faz ele disparar é precisamente sobre a sua tentativa de “fundir ciência e tecnologia com religião e espiritualidade”: “não é algo que eu esteja tentando fazer de forma consciente, nem tenho um modelo específico para isso. Mas acho que a ciência e a tecnologia estão se tornando mais e mais como a 'mágica'. Noutras palavras: os especialistas sabem o que está acontecendo, mas a pessoa normal não faz a menor idéia. Os mundos da ciência e da mágica são evidentemente separados: mas, em termos da nossa consciência e da forma pela qual percebemos as coisas, eles estão convergindo. Pode ser por isso que, no meu trabalho, parece que eu estou tentando integrar ficção científica e religião”. [QUADRINHOS]

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