ANDREW HOBEREK: “NÃO É COINCIDÊNCIA QUE O VILÃO DE WATCHMEN SEJA O DONO DE UMA FÁBRICA DE BONEQUINHOS DE SUPER-HERÓIS”

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Andrew Hoberek, escritor de Considering Watchmen: Poetics, Property, Politics [indicada ao Eisner no ano passado na categoria Melhor trabalho acadêmico/educacional] foi entrevistado por William Bradley, no Sequart. Os dois falaram, obviamente, sobre Watchmen, o gibi de Alan Moore e Dave Gibbons.

É interessante a visão de Hoberek para a abordagem crítica quadrinística. Primeiro, ele descreveu a sua própria, usada em Considering Watchmen. Ela é baseada em uma visão dupla: “primeiro, nós precisamos pensar no meio na sua especificidade concreta, da mesma forma que nós fazemos com os filmes. Por outro lado, Watchmen teve um efeito na cena literária atual, e é interessante pensar nas qualidades -- o seu realismo então atípico no meio, por exemplo – que fizeram esse crossover se tornar possível”.

E segundo, sobre o estado da crítica aos quadrinhos atual: “é um estágio comparável à teoria auteur francesa dos anos 50, que enxergava filmes como uma visão executada de grandes diretores como Hitchcock e Kurosawa. A teoria auteur nós pode dizer muita coisa sobre os filmes, especialmente sobre determinados filmes, mas o nosso entendimento se amplia incomensuravelmente quando nós pensamos em todas as pessoas e corporações que de fato se envolvem até mesmo no filme mais autoral. A mesma coisa é verdade em relação aos quadrinhos, e foi pensando na produção industrial e transatlântica de Watchmen que eu me dei conta, pela primeira vez, da fora na qual isso se reflete no processo. Não é coincidência, vou apenas dizer isso, que o vilão da série controla uma empresa que fabrica bonequinhos de super-heróis”. [QUADRINHOS]

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