SHIGERU MIZUKI E A INDÚSTRIA DO SANGUE

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Ryan Holmberg, o historiador de quadrinhos com um PhD na Yale sobre arte japonesa, colaborador habitual do The Comics Journal quando o assunto é mangá, escreveu um artigo gigante sobre Shigeru Mizuki -- sobre o ângulo da indústria japonesa do SANGUE. Literalmente: transfusão de sangue e tal.

Mizuki se tornou conhecido nos anos 60 tanto como mangaka mainstream [graças à série Gegege no Kitaro] como no alternativo [com Hitler, uma biografia debochada sobre os anos do ditador nazista como artista em Viena].

O argumento de Holmberg é que existe um motif em sua obra: “os bancos de sangue japoneses do pós-Guerra”. “Kitaro podia ir e voltar do submundo do Inferno em sua obra, mas o ponto de partida era a vida daqueles que, como Mizuki, viviam e moravam nos escalões mais baixos de Tóquio. E até a metade dos anos 60, a venda de sangue era uma parte integral e particularmente sinistra daquele mundo”. 

E ele fazia isso com uma abordagem “mais americana”: “não apenas porque ele se apropriava de elementos dos quadrinhos de terror e ficção científica americanos, mas também no sentido de que isso lembra aquilo que se encontra, tipicamente, nos gibis de terror americanos, o uso de temas e eventos da atualidade como uma forma de atualizar os tropos estabelecidos do gênero”. [QUADRINHOS]

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