PROBLEMAS NO PARAÍSO: KEVIN FEIGE LIMPA O TRILHO ENTRE MARVEL STUDIOS E A DISNEY

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Kevin Feige, o homem com um plano por trás do Marvel Studios, eliminou intermediários e agora responde diretamente à Disney -- ao menos, no que se refere à produção de FILMES. Caíram fora da relação Ike Perlmutter [que até agora era o chefe de Feige], seguido pelo Marvel Creative Comittee [o grupo responsável por dar conselhos à produção dos filmes, formado por Alan Fine, Brian Michael Bendis, Dan Buckley e Joe Quesada]. As informações são de Devin Faraci, do Birth. Movies. Death, aqui e aqui

A ruptura aconteceu, em tese, por problemas com o novo filme do Capitão América. Praticamente um Vingadores 2.5, a escala do filme teria causado problemas com Perlmutter -- o homem do controle de gastos. Os rumores são no sentido de que ambos já tiveram problemas na época da renovação do contrato de Robert Downey Jr. e por conta de regravações na pós-produção de Vingadores: A Era de Ultron.

O que te interessa disso? Bom, esses caras tinham influência em decisões criativas: Drew Goddard caiu fora da série do Demolidor no Netflix por problemas com Perlmutter. Já Edgar Wright teria caído fora do filme do Homem Formiga por problemas com o comitê. Esse, aliás, atuava com o respaldo de Perlmutter [Fine é seu sócio dos tempos da Toy Biz] e agia não só na parte do cinema [comandada por Feige], mas também com Jeph Loeb [TV] e Axel Alonso [quadrinhos]. Nesses departamentos, permanece o organigrama anterior: Loeb e Alonso respondem a Perlmutter e recebem os conselhos do comitê. É possível, portanto, que exista um distanciamento entre essas áreas. 

A notícia repercutiu nos últimos dias em tom celebratório -- o próprio Faraci nem tenta disfarçar a sua alegria.

Mas é importante ter em conta que Perlmutter é um self-made-man bilionário e excêntrico. Nascido em Israel e veterano da Guerra dos Seis Dias, chegou aos EUA no final dos anos 60 com 250 dólares no bolso. Prosperou no comércio, se tornou milionário como sócio de uma rede de farmácias, entrou no ramo dos brinquedos em um caminho que fez dele dono da Marvel em 1998:  era dono da Toy Biz, que comprou a editora depois da falência dessa em 1996. Tirou a Marvel da fossa e, em 2009, comandou a sua venda para a Disney. Ganhou quase um bilhão em dinheiro e mais meio bilhão em ações com o negócio.

Não é fotografado há décadas. Nunca deu uma entrevista. É o homem do controle de gastos [do tipo que grita com os funcionários por uso excessivo de blocos de papel], que não se constrange em dizer “não”. Exemplo: em tese, é o responsável pela falta de filmes da Marvel protagonizados por mulheres, com base exatamente no problema da rentabilidade [o Sony Leak trouxe à luz um e-mail dele sobre os problemas de bilheteria dos filmes da Elekra, Mulher-Gato e Supergirl].

Noutras palavras: é exatamente o tipo de pessoa que jornalistas que cobrem cinema odeiam. É possível, portanto, que ele receba mais críticas do que o merecido. Também é o tipo de pessoa que acionistas adoram. E é a alegria dos acionistas que mantém os filmes da Marvel em produção. Podemos estar diante de uma nova fase criativa para os filmes da Marvel. Também podemos estar diante do início do fim. [QUADRINHOS] [ETCETERA]

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