ADAM WEST: “BEBIDA. MULHERES. POLÍCIA. ME DISSERAM QUE NÃO SERIA INTELIGENTE VOLTAR PARA LÁ”

* * * *
Se você, como eu, nasceu na década de 80 e gosta de gibis, é provável que Adam West seja um dos responsáveis por isso. O eterno Batman do seriado dos anos 60 não foi o herói que nós merecíamos, mas o que nós precisávamos: camp, leve, INFANTIL e passando quase que em looping no SBT. Sábado, 19/9, ele fez 87 anos. O momento é propício, portanto, para recuperar essa entrevista que ele deu em 14/8/2005. Avesso a entrevistas, ele conversou com Robert Chalmers, do britânico jornal The Independent

Os dois se encontraram em um café em Ketchum, pequena [três mil habitantes] cidade de Idaho onde Ernest Hemingway se suicidou [West é um fã do escritor e um grande amigo de um de seus filhos, Jack Hemingway]. O lugar é atualmente, um retiro de celebridades do cinema como West, Tom Hanks e Arnold Schwarzenegger. Isso leva Chalmers a perguntar para West porque ele não preferiu Aspen [no Colorado, o top top dos retiros das estrelas do cinema]. 

A resposta: “fui banido de Aspen. Você sabe, nós estávamos fazendo uma festa e...”. Bebidas, mulheres, polícia. “Fui escoltado para fora da cidade e advertido que não seria prudente voltar. Uns 15 anos depois recebi uma carta das autoridades de Aspen dizendo que eu poderia voltar -- de visita”. É que depois da série, West teve problemas: alcoolismo e depressão. A recuperação veio com o seu terceiro casamento.

Mas isso só é parte da entrevista [o greatest hit da seção “vida loca” é o encontro de West com o Papa Paulo VI: “se eu me ajoelhasse, não conseguiria me levantar de tanta ressaca”]. West também fala sobre a série [“era comédia”] e tenta se escamotear das comparações entre a sua autobiografia e a de Burt Ward, o da série Robin [respectivamente Back to the Batcave e Boy Wonder: My Life in Tights]. 

O assunto é desconfortável para West -- provavelmente seja um dos motivos pelos quais ele não fala com a imprensa. Fica claro que a relação entre os dois era problemática: “em um determinado momento, cada um se recusava a entrar no set depois do outro, então os produtores tinham que abrir as suas portas ao mesmo tempo e levá-los lado a lado, como capitães de times de futebol”.

O parecer de Chalmers lhe e favorável: “o livro de West é uma das melhores memórias de show business que já passou por mim, enquanto que o de Ward é o pior livro que eu já li”, retratando West como “um sovina preocupado com o modesto tamanho do seu pênis”, enquanto o próprio Ward se “refere à sua própria masculinidade como 'o monstro'”. [MEMÓRIA] [ETCETERA]

Nenhum comentário: