WILLIAM EKGREN: PINTOR EXPRESSIONISTA, CAPISTA DE GIBI

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Hoje é o aniversario de William Ekgren -- 97 anos. Você deve estar se perguntando quem diabos é William Ekgren. Te digo: é um exemplo daquilo que os quadrinhos da Era de Ouro tem de mais legal -- artistas que uma história de vida única, que participaram dos quadrinhos de forma periférica, chegando por vias tortuosas, para depois sumir no anonimato.

A contribuição de Ekgren para os quadrinhos americanos consiste em TRÊS CAPAS, publicadas entre 1952 e 1953 em revistas da editora St. John. A St. John era uma típica editora da Era de Ouro dos quadrinhos: como eu te contei aqui, ela surfou em diversas modas dos quadrinhos da primeira metade do século passado [romance, policial, etc] e teria passado à história com mais pena que glória se não tivesse publicado It Rhymes With Lust [de Matt Baker, considerada uma das primeiras graphic-novels] e o breve período em que Joe Kubert esteve no seu comando [entre 1952 e 1955, quando a editora foi dissolvida em 1955, depois do falecimento do seu criador, Archer Sr. John]. 

As três capas de Ekgren, uma para a revista Strange Terrors e duas para Weird Horrors [perceba o “surfando nas modas dos quadrinhos da primeira metade do século passado” do parágrafo anterior], são as seguintes -- você logo poderá perceber o que eu quero dizer com “única”. Lá vão elas misturadas com outras capas do período e da editora:


Você sabe exatamente de quais capas eu estou falando, certo? São aquelas que, no auge da produção comercial de hqs, o famoso “imprime qualquer coisa que o que vale é a propaganda de tranqueira no fim”, parecem uma mistura de pintura expressionista com terror pulp.

Imagino que você esteja exigindo uma resposta mais concreta para a pergunta “quem e William Ekgren”. Felizmente, Ken Quattro, historiador de gibis que toca o blogue The Comics Detective se debruçou sobre a questão em duas oportunidades.

Na primeira, originalmente publicada na revista Alter Ego #77, Quattro biografou Ekgren: nascido em Oslo em 1918, filho de uma norueguesa e um sueco, protótipo de artista avant-garde e veterano da Guerra do Inverno [a invasão da Finlândia por tropas russo-comunistas em 1939; Ekgren lutou no lado dos finlandeses]. O artigo inclui uma capa inédita de Ekgren para um gibi da St. John.

A segunda é resultado de uma carta do próprio Ekgren, que tomou conhecimento do artigo de Quattro através de um de seus netos, Niklas Ekgren. Ele estava [a postagem é de 2010], com 89 anos de idade. Na carta, o artista conta sobre os seus tempos no exercito finlandês [o que inclui uma passagem pelo Brasil e ser torpedeado por um submarino nazista] e sobre como as suas pinturas chegaram à capa dos gibis da St. John -- por acaso.

Nas suas próprias palavras:

“Um dia, na primavera de 1952, no Greenwich Village Outdoor Art Show, três homens e uma mulher estavam murmurando entre eles e olhando para uma das minhas pinturas... depois de menos de cinco minutos eles tinham comprado os direitos para publicá-la por 100 dólares. Depois de uma semana, me devolveram a pintura para que eu pudesse voltar a vendê-la... o mesmo procedimento aconteceu no Outdoor Show seguinte, e depois no outro depois desse... as mesmas pessoas voltavam, agiam de uma forma quase mal-educada e pagavam 100 dólares por cada imagem. Um dos quatro editores era Archer St. John”. [MEMÓRIA] [QUADRINHOS]

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