ALAN MOORE: "UMA VEZ UMA MARIPOSA FICOU VINTE MINUTOS PRESA NA MINHA BARBA"

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Que tal uma entrevista com Alan Moore? O site da revista Mustard disponibilizou essa aqui, publicada anteriormente na edição impressa. É longa: quase vinte páginas impressas, umas 15 mil palavras, convenientemente dividas em 9 partes. O melhor da entrevista é que ela mostra como a fama de rabugento de Moore é injustificada. Sim, ele tem opiniões fortes -- mas elas são bem pensadas e frequentemente apresentadas de um jeito bem humorado.

Quer ver? Tome Moore falando sobre a adaptação para o cinema de Watchmen: “É uma idéia sem sentido, porque Watchmen, pelo menos para mim, não é sobre um monte de super-heróis um pouco sinistros em uma versão um pouco mais sinistra do nosso mundo moderno. É sobre técnicas narrativas”. Especificamente, técnicas narrativas incoerentes com o cinema:  “Com Watchmen, queria encontrar essas coisas que não podem ser filmadas, que só podem ser feitas em quadrinhos”.

A parte bem-humorada: “então, depois que essas coisas aconteceram com Steve Moore” [Alan acredita que a DC usou seu amigo Steve, falecido no ano passado, para tentar convencê-lo a participar da produção do filme], eu amaldiçoei o filme e tudo que tinha que ver com ele. E eu uso a palavra 'amaldiçoar' no sentido profissional”.

Mais? Moore sobre o uso de drogas: “não uso como uma forma de entretenimento, e isso pode ser o que me salva. Nós não somos a primeira cultura a usar drogas, mas nós parecemos ser uma das primeiras a ter um problema com as drogas. Acho que temos um espaço para as drogas na sociedade, mas é um espaço xamãnico que não existe mais”.

Agora, sobre o “meio ocultista”: “ingenuamente, fui em um fórum de ocultismo” [ele está falando sobre a repercussão que Do Inferno teve nesse meio]. “Um cara apareceu e me disse 'eu confirmei fisicamente que todas essas coisas que você disse em Do Inferno foram o que aconteceu', e eu disse: 'bom, isso é adorável, mas eu inventei tudo aquilo'”.

As nove partes da entrevista são as seguintes: “Comédia nos quadrinhos”, “quadrinhos e adaptações para o cinema”, “drogas como uma ferramente para a escrita”, “magia e ocultismo”, perguntas variadas de outros entrevistadores da revista [entre elas: “quais são os aspectos positivos e negativos de ter uma barba de mago?”; a resposta: “uma vez, e isso é verdade, uma mariposa ficou presa por vinte minutos dentro da minha barba”], Jerusalém [o seu novo livro], comentários breves deMoore sobre uma pá de seus trabalhos passados, Steve Moore e “projetos futuros”.  [QUADRINHOS]

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