WALLY WOOD: OPIUM SMUGGLERS OF VENUS

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Hoje seria aniversário de Wally Wood

Natural de Minnesota, Wood começou a desenhar quadrinhos em 1948, pouco depois de sair do exército -- estava alistado, desde 1946, na 11th Airborne Division, e fazia parte da força americana de ocupação no Japão [permaneceu em Hokkaido].

Depois de conseguir entrar no estúdio de John Severin [onde coincidiu com Harvey Kurtzman], Wood conseguiu um emprego como assistente de Will Eisner. Em 1949 começou a desenhar as suas próprias histórias para editoras menores.

A fama [bom, o que se pode chamar de fama para um quadrinista da Era de Ouro] chegou no início da década de 50: Wood começou a desenhar histórias de terror, suspense, guerra e ficção científica [seu gênero favorito] para a editora EC e para a Avon [sem qualquer relação com os produtos de beleza: é uma editora de paperbacks baratos criada em 1941 e incorporada pela Hearst Corporation, de William Randolph Hearst, em 1959], e de humor para a revista MAD.

Ainda que as suas histórias da EC sejam mais conhecidas, a que acompanha essa postagem foi publicada pela Avon -- mais especificamente, em Space Detective #1, de 1951. Ainda que desenhada de um jeito perceptivelmente menos cuidadoso que o do seu trabalho para a EC, os gibis da Avon são mais difíceis de encontrar. E é uma história de ficção científica  [bônus] pré-CCA [extra bônus]. 

Opium Smugglers of Venus, incluída no encadernado Strange Worlds of Science Fiction da editora Vanguard e disponível no Digital Comics Museum, e é ficção científica no estilo capa e espada nas estrelas: o herói e um Flash Gordon genérico, Rod Hathway [o "space detective" da revista], acompanhado de uma sidekick adolescente [a história não se constrange de ser levemente cheesecake, com direito a uma femme fatale cantora de cabaré], em busca de traficantes de ópio [e do “Murderer from Mars”, arqui-inimigo de Rod] em uma Vênus art decó.

Depois, Wood ainda trabalhou para a Marvel [onde criou o uniforme vermelho do Demolidor], para a DC e para a Tower Comics [T.H.U.N.D.E.R. Agents] ao longo dos anos 60, e lançou a sua própria revista em 1966 [a witzend, primeira revista independente autoral dos EUA]. 

A partir daí, o cheesecake foi ficando desavergonhado: em Cannon [final dos anos 60], a sua série de espionagem publicada na Overseas Weekly sem restrições quanto ao público-alvo, a nudez feminina é uma constante. Malice in Wonderland [publicada na revista National Screw em 1976] é softporn. Em 1980, Wood já estava desenhando histórias abertamente pornográficas em uma revista chamada GANG BANG!, parodiando personagens conhecidos [“Stuporman meets Blunder Woman”]. 

Paralelamente, a vida de Wood, que sempre foi um artista problemático, entrou em decadência: nos anos 70, já depois de dois divórcios, passou a sofrer de depressão, alcoolismo e problemas renais. Em 1978 ficou cego de um olho. Em 1981, aos 54 anos, se suicidou em Los Angeles.

De tempos mais felizes, Opium Smugglers of Venus segue depois do pulo.


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