JORDI BERNET: “ME ENCHIAM O SACO PARA QUE TORPEDO FOSSE COLORIDO”

* * * *
O quadrinista espanhol Jordi Bernet [Torpedo] foi entrevistado para o fanzine espanhol Revista Z. Como nem toda a conversa coube na edição final da revista, o site Entrecómics colocou as mãos na sua transcrição que a publicou na íntegra.

Na entrevista, Bernet fala um pouco [e de um jeito bem direto] de alguns dos seus trabalhos mais conhecidos, como Tex [“era amigo íntimo de Sergio Bonelli, editor de Tex, e ele insistia que eu fizesse um ‘texone’. No final, passei quatro anos com isso”], Jonah Hex [“me deram a série quando estava desenhando a Solo”; “é como Torpedo, mas sem o humor”] e Clara de Noche, seu personagem para a revista de humor espanhola El Jueves.

Mas, como não poderia ser diferente, fala principalmente de Torpedo -- o gângester amoral roteirizado por Enrique Sánchez Abulí e originalmente desenhado por Alex Toth [que caiu fora da série depois de poucas edições, precisamente por achá-la violenta demais]. 

Entre outras informações interessantes, diz Bernet que o visual de Torpedo foi “um pouco” inspirado no célebre editor de quadrinhos espanhol Josep Toutain; o seu comparsa Rascal, em um “assassino profissional que se chamava Abe Reles”:


Também comenta a infame decisão da Glénat de colorir as suas histórias. Perceba a sua sutileza: “Torpedo se publicava na França e lá, como são muito franceses, enchiam o meu saco fazia anos que a série fosse colorida. Não podiam conceber que uma série de sucesso fosse em preto e branco, tinha que ser colorido, o que na época era o auge. E, para Torpedo, a colorização era um chute no saco. Resisti durante anos na frente da Glénat e de Fershid Bhaurucha, que naquela época era o editor dos especiais USA de L’Écho des Savanes, onde se publicava Torpedo. No final aceitei, mas disse que não queria ser o colorista”. 

Na foto: um chute no saco.

Nenhum comentário: