HERB TRIMPE: A VIDA DEPOIS DE HULK

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O quadrinista Herb Trimpe faleceu segunda-feira, 13 de abril, aos 75 anos. Quem deu a notícia foi o seu primo em uma postagem no Facebook. Passou quase toda a sua carreira na Marvel, nunca foi um fan favorite [“sub-valorado”, agora se dirá] e o seu trabalho mais conhecido foi nos anos 70, na série do Hulk [onde desenhou a primeira aparição do Wolverine nos quadrinhos]. Provavelmente nunca atrasou um prazo.

Em 1996, depois de 29 anos trabalhando na editora [na qual começou a trabalhar depois de passar um ano na Guerra do Vietnã como meteorologista da Força Aérea], Trimpe foi demitido da Marvel. Não encaixava mais, no auge da crise da editora e da influência da geração Image, embora tenha tentado [voluntariamente, conforme o próprio esclareceu para Brian Cronin do CBR] se adaptar ao estilo:



Aos 56 anos e com dois filhos Trimpe estava desempregado. Depois de três anos e uma pá de cartas de rejeição, conseguiu um emprego em uma escola pública de Nova Iorque  -- o primeiro desenhista do Wolverine foi dar aula de arte para alunos de entre 12 e 13 anos.

Em janeiro de 2000, o The New York Times publicou trechos do diário que Trimpe mantinha, “fins terapêuticos”, desde os tempos do gibi do Hulk. São exatamente as partes relativas a esse período: começa em 15 de março de 1995 [“Fantastic Four Unlimited”, gibi do qual saiu aquela página ali de cima, “é o único gibi que eu estou desenhando. Liguei para Nel, que pediu desculpas. Ele disse que ia me conseguir mais trabalho, mas as coisas não iam bem. Teve um monte de demissões”] a 1º de dezembro de 1999. É o retrato da vida de um quadrinista mainstream "normal" quando as coisas dão errado.

Trimpe é demitido através de uma carta: “13 de maio.. A espera acabou. Chegou hoje, pela Federal Express. Fui demitido pelo correio, a contar de 8 de junho. Sem avisos, sem uma ligação de telefone. A carta foi entregue com outro pacote que eu estava esperando da Marvel. Não se podia saber o que era pelo envelope. Uma demissão camuflada. Abri. Bang! Te peguei! Ha! Estava esperando há muito tempo, mas conseguiram me pegar com a guarda baixa”].

Vai para a fila do desemprego: “11 de Junho. Foi para Kingston me inscrever para o seguro desemprego. A fila era um saco de gatos da humanidade. Me senti estranho”. Pena por não saber usar um computador: “fui numa entrevista de emprego. Queriam um artista com experiência em Quark e Photoshop e essas coisas de computador. Ei, eu consigo desenhar melhor que o teu Adobe Illustrator! Eles não sabem ou não se importam”. Finalmente, vai trabalhar na escola: “Segunda de manhã. Cara, é cedo. Esqueci o meu almoço, a minha carteira e o meu dinheiro”.

Depois disso, as coisas melhoraram: nos anos 2000, Trimpe conseguiu voltar a desenhar gibis [trabalhos esporádicos na Image, IDW e Dark Horse], inclusive duas histórias de aviação -- Firehawks, de 2009, “protagonizadas” por um avião Bugatti 100P [Trimpe, veterano da Força Aérea, era membro da Bugatti Aircraft Association]. [MEMÓRIA] [QUADRINHOS]

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