TODD MCFARLANE: “NÃO FUI PARA O HOMEM-ARANHA PARA MANTER O STATUS QUO. FUI LÁ E DISSE ‘VAMOS FERRAR COM ISSO’”

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Todd McFarlane está de aniversário: são 54 anos comemorados entre bolas de baseball, pilhas de dinheiro e bonequinhos hiper-detalhados. Ainda que agora mesmo eles estejam longe, não custa lembrar que a origem do sucesso de McFarlane estão nos gibis. E, para fazer isso, nada melhor que essa entrevista, originalmente publicada na The Comics Journal #152 [de agosto de 1992, auge de sua carreira] e conduzida por Gary Groth [editor da revista e da Fantagraphics, homem que tem tudo para morrer de nojinho na frente de McFarlane].

A primeira qualidade dessa entrevista é ser engraçada: principalmente a partir da segunda página, o desprezo de Groth é quase palpável. McFarlane, também, simplifica o trabalho: “Não leio nada. Só a página de esportes”; “não tenho uma capacidade de concentração longa, entende? Não leio os artigos da Sports Illustrated porque eles são muito longos. Gosto de pequenos, concisos, curtos... me dê cinco fatos rápidos e caia fora. Quero só os fatos para poder ser bom no Trivial Pursuit e é isso”.

Os dois, no entanto, são surpreendentemente parecidos [ou ao menos o quadrinista está fazendo um esforço em se tornar mais simpático aos olhos de Groth]: McFarlane é relativista, ataca o “status quo corporativo” do mundo dos quadrinhos [que “matou” a criatividade], diz que capas variantes são uma trapaça e se vê como um revolucionário anti-sistema -- “não fui para a série do Homem-Aranha para fazer o status quo, mas o contrário. Fui lá e disse ‘vamos ferrar com isso’”; “nós não deveríamos ser inimigos mortais, Gary”.

BORN TO BE WILD

A diferença é que McFarlane abraça o capitalismo do discurso anti-capitalista [chama os gibis de “produtos”, por exemplo] e fala de um jeito bastante niilista [“eu poderia fazer gibis melhores? Sim. Faria alguma diferença?”]. Groth, por outro lado, coloca tudo aquilo em favor da lógica [que Gene Phillips, do The Archetypal Archive, chama de] “elitista”.

O próprio McFarlane percebe isso [ainda que de um jeito relativista]: “Então agora Gary Groth se tornou o ditador do que deve estar nos gibis naquele momento. Então, se nós permitimos que você diga o que é bom para os quadrinhos, de uma forma estranha você está nos manipulando, porque você apenas nos dá o que acha que é bom”.

A segunda qualidade está nas explicações históricas: McFarlane descreve as suas maquinações para formar a Image [a motivação? Passar mais tempo com a filha recém nascida] e dos seus problemas com a Marvel. Sobre a Image: “Quando eu morava na Ilha Vancouver, procurava descobrir quem iria para a próxima exposição em Vancouver. Ligava e dizia ‘quer ficar aqui comigo uns dias? Sabe, te empresto o meu carro e o que for, você vai ter transporte, te busco na balsa’ e essas coisas... e assim que eles entravam na casa, começava a trabalhar eles”.  [MEMÓRIA] [QUADRINHOS]

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