BLOODY YESTERDAY, DE JOE KUBERT: TERROR

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Joe Kubert faria hoje 88 anos. O homem, que tá no Hall of Fame dos prêmios Harvey e Eisner mais do que merece uma homenagem -- que no caso vem na forma de OURO PURO, com uma história de terror publicada na editora St. John em 1953, logo depois de Kubert de retornar da Alemanha e logo antes de ir para a DC [rumo a fama, a fortuna e tudo mais], e que você lê na integra depois do pulo.

A St. John [o nome vem do seu criador, Archer St. John] era uma típica editora da Era de Ouro dos quadrinhos: criada em 1947, surfou em booms como o dos quadrinhos policiais [Authentic Police Cases e a pulp-noir It Rhymes with Lust, candidata a primeira graphic novel da história], de romance [Teen-Age Romances] e guerra [Fightin’ Marines, onde Canteen Kate dava as caras] em revistas normalmente capitaneadas por Matt Baker [criador de Phantom Lady e conhecido como good girl artist], até a chegada de Kubert à editora em 1952, recém retornado do serviço militar.

Kubert, acompanhado dos irmãos Norman e Leonard Maurer, se tornou editor e de um boost nos negócios: publicou os primeiros gibis em 3D comercialmente bem-sucedidos e criou Tor, um de seus personagens mais famosos. Durou pouco: Archer morreu em circunstâncias misteriosas em 1955 [aos 54 anos] e a própria linha de quadrinhos da St. John acabou indo para o espaço.

Bloody Yesterday, a história que você lê aí em baixo, foi publicada nessa época, na revista Weird Horrors #8 [disponível no The Digital Comics Museum]. Segue a linha surfando no boom, agora do terror de final irônico com direito a quadrinho com protagonista sofrendo com o suor paranóico, só que economizando na violência. Na história, um soldado inglês tem um flashback de sua vida passada como soldado romano, um invasor na Grã-Bretanha acampado nas proximidades da Muralha de Adriano.

Titus, seu nome romano, se sacrifica para avisar os seus colegas de um iminente ataque dos pictos -- no presente, acorda obcecado com idéia de resgatar a sua esposa, Ladicca. O twist-ending tem um quê PUNITIVO: funciona como frustração da expectativa do leitor [que depois do sacrifício heróico e diante do estilo apolíneo do protagonista, não deveria esperar que ele se desfizesse jogado nas sombras] e como CASTIGO -- o homem é um “opressor” que expulsa um druida de sua casa aos gritos de “cão parasita”. Se ele tivesse lido os gibis da época, saberia que nada de bom poderia sair disso...









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