MULHER-HULK: PIRANHA?

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David S. Goyer, o homem que tem as mãos metidas em todo o universo cinematográfico da DC [co-roteirista dos três filmes do Batman de Christopher Nolan, de O Homem de Aço e do iminente Batman Vs. Superman: Dawn of Justice] foi ao podcast de Scriptnotes, apresentado por Craig Mazin, onde... bom, meteu os pés pelas mãos, só que em relação à Marvel: afirmou que a Mulher-Hulk: é um complemento pornô à fantasia de poder masculino do Hulk -- “então, se eu vou ser esse nerd que se transforma no Hulk, então vamos criar uma atriz pornô que apenas o Hulk consegue comer”. Mazin não quis ficar atrás e chamou o personagem de “Slut-Hulk”. Como isso é combustível para o papo furado que movimenta a Internet, houve barulho. Heidi MacDonald, do Comics Beat, fez um bom resumo da controvérsia e de sua repercussão. Gene Phillips, do The Archetypal Archive, explicou porque todos os envolvidos estão errados.

Na repercussão, estão Alyssa Rosenberg, no Washington Post, Dee Emm Elms, do Four Color Princesses, que trataram o personagem como um ícone feminista, e Stan Lee, que, entrevistado por Michael Cavna [de novo do Washington Post], resumiu a questão com um “apenas um pirado pensaria nisso”. Charles Soule, atual roteirista da série da personagem, e Mazin, o apresentador do podcast, também falaram do assunto [esse último em termos politicamente corretos: “o que eu queria dizer é que as pessoas que criaram ela naquela época estavam empurrando a sua imagem visual como o de uma vagabunda para fazer dinheiro. E eu não gosto disso”].

Já Phillips escreveu quatro postagens sobre o tema no seu blogue. Em How to shame a big green slut, parte um e dois, Phillips dirigiu o seu canhão argumentativo a Mazin e o seu mea culpa. Já em Highlighting Anxiety e Sometimes he feels like a nut; other times, he just is, falou sobre o comentário de Goyer, que descreveu como uma mistura de “grito por atenção” com “tentativa de se convencer que ele está 'acima' de conteúdo politicamente incorreto como 'fantasias sexuais masculinas'”. O argumento é que personagens como a Mulher-Hulk podem funcionar também como fantasias de poder masculinas, não apenas fantasias sexuais: “deveria ser óbvio que homens heterossexuais podem se identificar com personagens femininos no que se refere ao conflito interno”, assim como conseguem se identificar com o super-heróis que não foram criados com a aparência de garanhões [como, aliás, é o caso do próprio Hulk].

Não é só: a Mulher-Hulk original nem era um bom exemplo de “good girl art”. Phillips cita o seu próprio desenhista regular original, Mike Vosburg,para dizer que o personagem não era “excessivamente atrativo”; e a compara com Red Sonja, um bom exemplo de como a Marvel conseguia vender sexo quando o que ela queria era isso. [QUADRINHOS]

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