STAN LEE: “NÓS VAMOS FALAR SOBRE A MINHA VIDA SEXUAL?”

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Stan Lee, o homem, o auto-mito, foi entrevistado por David Hochman, da Playboy. Deve ser a realização de um sonho. Ele até abriu os trabalhos tirando uma onda. As duas primeiras perguntas são dele: [1] “nós vamos falar sobre a minha vida sexual?” e [2] “finalmente sou mais famoso que o Homem-Aranha?”.

Ironias a parte, Stan Lee é o cara. A entrevista tem seus momentos mais sérios: Lee fala dos problemas com Jack Kirby e Steve Ditko [“não vejo onde esteve o tratamento desleal”] e com a Stan Lee Media [“é irritante porque as pessoas pensam que isso sou eu”]. Outros mais suaves: “seria um choque descobrir que Kirby, por exemplo, usava drogas. Ou John Romita, ou Gil Kane. Esses eram caras de família, caras trabalhadores, e eles simplesmente eram talentosos”; “eu tinha um Buick conversível que usava para impressionar as garotas. Mas você não pode competir com estrelas do rock”.

Também sobre generalidades [ator favorito, primeiro gibi, melhor casting, etc] e filosofices [“os gibis são contos de fadas para adultos. São personagens que são como nós, mas maiores do que nós...”]. Mas as suas respostas são sempre diretas, sinceras e contém a dose certa de humor auto-depreciativo irônico [“...esse é o fim da minha aula de filosofia. Ela deveria ser gravada em mármore”].

Exemplos. Sobre criar uma pá de super-heróis em um período relativamente curto: “para ser honesto, poderia ter sido antes, poderia ter sido depois. Aconteceu porque o meu chefe pediu. Por exemplo, depois que eu fiz o Quarteto Fantástico, Martin [Goodman], meu editor, disse 'me dá mais uns heróis'”; “O Hulk foi atingido por raios gama. Não faço a menor ideia do que sejam raios cósmicos ou raios gama, mas parecia bom. E esses eram os únicos raios que eu conhecia”. Sobre o seu papel na Marvel atual: “sou um rosto bonito que eles mantém virado para o público”; “não faço a menor ideia de quem seja Ultron. Perguntei para uns caras no escritório, mas o meu telefone tocou, fiquei ocupado e nunca descobri”. Sobre escrever um panfleto sobre doenças venéreas para o exército, na Segunda Guerra Mundial [onde, aliás, trabalhou com Frank Capra e Theodor Geisel, o Dr. Seuss]: “fizeram alguns milhões de cópias. Acho que ganhamos a guerra graças a isso”. [QUADRINHOS]

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