KELLEY JONES: "A BAT-CAPA DESENHADA POR JONES SEMPRE PARECE UMA CRIATURA VIVA"

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O CBR inaugurou nesse ano uma seção nova, Year of the Artist, dedicada a analisar histórias específicas de um determinado artista -- escrita por Greg Burgas e, em 95% dos casos, muito informativa. Exemplo concreto: Kelley Jones, conhecido por ter desenhado o Batman com mais músculos na caixa torácica da história, ganhou cinco artigos -- a forma que Burgas encontrou de demonstrar a evolução do seu traço.

No primeiro artigo, Burgas conferiu The Micronauts: The New Voyages #1, de outubro de 1984, o “nono ou décimo” gibi desenhado por Jones a ser publicado, quando ele tinha “entre 21 e 22 anos”. Na época, o seu estilo era mais “tradicional”, “mas com dicas sobre o estilista que ele se tornaria”. Também era mais “cartunesco”, “e, ao contrário de alguns artistas que se tornam mais realistas, Jones se tornou ainda mais abstrato”.

Depois, Burgas conferiu The Micronauts: The New Voyages #14, de novembro de 1985. A mudança é “dramática”; aqui, Jones é “muito mais parecido com aquele que nós conhecemos e amamos 25 anos depois”. Olha só a cabeça e o pescoço desse personagem que você vai entender do que que ele tá falando:


O terceiro artigo foi sobre Grimjack #73, publicado pela First Comics em agosto de 1990 -- mesma época da minissérie do Deadman: Amor Após a Morte [com roteiros de Mike Baron, que foi até publicada pela Abril em formato americano] e Sandman #17-18, gibis que fizeram de Jones um nome a ser seguido. Perceba como os “rostos são muito mais cartunescos e exagerados do que antes”:


A parada seguinte foi na edição de abril de 2001 de The Crusades: Urban Decree, minissérie da Vertigo roteirizada por Steven T. Seagle. Jones está em seu pós a revista do Batman e no “auge do seu senso de humor”: “The Crusades é uma sátira bastante óbvia, então Jones desenhá-la quase como um cartum é perfeito para manter o tom”.

A jornada terminou em Batman: Unseen #5, publicada em fevereiro de 2010 com roteiro de Doug Moench, “um filme de ficção científica B coincidentemente estrelado pelo Batman, o que significa que é incrível”. É um bom ponto final: não apenas serve de exemplo do estágio atual do traço de Jones, como é um gibi do personagem que lhe tornou conhecido pelo estilo gótico. Assim:


Ou, como diz Burgas: “a bat-capa desenhada por Jones sempre parece uma criatura viva, como nesse caso. Parece que ela está envolvendo o Batman porque ela quer, não porque ele está fazendo isso”. [QUADRINHOS]

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