CAPITÃO AMÉRICA: O SOLDADO INVERNAL, DE ANTHONY E JOE RUSSO: UM THRILLER DE 170 MILHÕES DE DÓLARES

* * * *
Capitão América: Soldado Invernal, o filme da Marvel que estreou sexta-feira nos cinemas do Brasil, é aparentemente um sucesso: o público curtiu, o nerdismo curtiu, a crítica curtiu, todos coincidindo que esse é um dos melhores filmes da Fase 2 da Marvel no cinema e um dos melhores da Marvel no cinema ponto.

Todos também coincidem na descrição básica do filme: uma mistura de blockbuster de ação com thriller de espionagem setentista -- uma versão mais puxada para o action film de pipoca do que o thriller político da fase de Ed Brubaker nos gibis do qual tira a sua inspiração.

Conforme Richard Roeper, do Chicago Sun-Times, isso se traduz “algumas reviravoltas que nos mantém tentando adivinhar quem está do lado do bem e quem está do lado do mal”, situadas entre “diversas cenas de ação com a habitual destruição de CGI e algumas bem coreografadas lutas”.

Zade Rosenthal, do Washington Post, descreveu o filme como “o mais adulto dos filmes dos Vingadores” -- conseguindo, a pesar da “violência impiedosa e o seu sub-texto político sinistro”, escapar da “armadilha de se levar a sério de mais”: “para cada tema sério, os cineastas garantem uma piada”.

O cabelo do vilão entra na cota "piada".
O que Rosenthal chama de “sub-texto político” fica por conta do uso, na trama, de elementos de realpolitik -- o uso de drones, a guerra ao terror, a privacidade e a segurança pública. Sonny Bunch, o editor nerdista do Free Beacon, tratou desse lado do filme de forma irônica [“Tente adivinhar de que lado o filme fica”], desenvolvendo o assunto em um artigo próprio no Wall Street Journal [aqui, exigindo pagamento por acesso; se você quer saber mais sobre isso, Leah Libresco, do American Conservative, discordou de Bunch; Alyssa Rosenberg, do Washington Post, discordou dos dois discordou dos dois].

No entanto, gostou do resultado: “o thriller de paranoia mais caro de todos os tempos” [música para os meus ouvidos!], e “talvez o melhor filme da Marvel desde Homem de Ferro”: “as cenas de ação estão entre as melhores que a Marvel já produziu – os irmãos Russo conseguem fazer o escudo do Capitão funcionar de uma forma que nunca parece falsa. Enquanto isso, a relação entre o Capitão, a Viúva Negra e o seu novo sidekick Sam Wilson, alias O Falcão, garantem a leveza necessária”.

Tem também as resenhas de A. A. Dowd e Scott Tobias, respectivamente do AV Club e do The Dissolve. As duas são positivas, mas coincidiram em que o filme tem alguns problemas em lidar com as obrigações decorrentes de ser parte de uma franquia em expansão. Conforme o primeiro, “a trama foi claramente moldada para acomodar grandes e sísmicas mudanças na mitologia dos Vingadores”; diz o segundo, que o filme tem “uma falha, a obrigação de servir a uma franquia que continua ganhando peso”. [NFN 100MG]

Nenhum comentário: