JOE CASEY ENTREVISTADO: O MUNDO DOS QUADRINHOS

* * * *
Joe Casey, de WildCATS 3.0 e um dos quadrinistas membro do Man of Action [grupo que criou o desenho animado Ben 10], foi longamente entrevistado [estamos falando de umas vinte páginas] por Tom Spurgeon, do Comics Reporter.

Deu tempo para Casey falar sobre tudo. De início, comentou sobre os fatores externos que condicionaram o desdobramento de sua carreira [e que já não existem mais]: a “era 'movida por escritores' dos quadrinhos mainstream” e a “legitimização dos quadrinistas dentro de outras áreas do entretenimento, mais especificamente 'Hollywood'”.

Casey não é, no entanto, um grande fã do método atual de parto de histórias, com os escritores “reunidos em uma sala de escritores, como na TV, por dias, para ver as suas ideias 'vetadas' e as suas vozes individuais suprimidas, ao em vez de fazer o que os seus heróis fizeram quando faziam gibis... sentar em uma sala sozinhos” – parece uma referência ao atual “estilo Marvel”, com os seus retiros anuais de escritores.

Isso levou a comentários mais gerais sobre o estado atual da indústria, seus trabalhos recentes para a Marvel e aos creator-owned, como Sex [no caso, sobre como construir um novo universo do zero] e Butch Baker [“um trabalho pessoalmente transformativo como foi Automatic Kafka para mim uma década antes”]. E ao uso abusivo da palavra “milieu”.

Casey também comentou sobre a sua preocupação com o design das capas dos seus gibis [perceptível no início de sua “mal-fadada fase em Uncanny X-Men” e, especialmente, em WildCATS 3.0]. Na época, o escritor era uma jovem estrela da Marvel, frequentemente na coluna dos quadrinistas “bombantes” da revista Wizard [“as vezes, ela tinha uma cara bonita. Acho que é um bom documento sobre os quadrinhos mainstream dos anos 90 e início dos 2000”].

No fim, falou sobre as relações entre os quadrinhos, as séries de TV e vice-versa – em especial o “vice-versa”, com os “a última geração de escritores mainstream”, depois que os escritores de TV minaram os quadrinhos, “pegaram as técnicas da televisão e reaplicaram elas em gibis serializados”. O que faz com que ele defina as três principais influências dos roteiros de quadrinhos mainstream como sendo “a Vertigo dos anos 90, o mangá como interpretado por Warren Ellis [as chamadas técnicas “widescreen” e de “descompressão”] e a televisão, episódica e por temporadas”. [NFN DIÁRIO]

Nenhum comentário: