ROBOCOP, DE JOSÉ PADILHA: "UMA BOA IDEIA MAL EXECUTADA"

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Robocop, o novo filme de José Padilha [acompanhado de uma equipe massivamente brasileira, formada pelo diretor de fotografia Lula Carvalho, o montador Daniel Rezende e o compositor Pedro Bromfman, do roteirista Joshua Zetumer e de 140 milhões de dólares], enfrenta um RETO: muito embora Padilha tenha insistido em diversas entrevistas que o seu filme não é um remake literal do Robocop original, dirigido por Paul Verhoeven, mas um novo filme que parte de uma premissa parecida, essa não é uma ideia exatamente fácil de vender.

Se compreendida, leva as pessoas para o cinema com a impressão de que o filme será puramente oportunista. Se não, faz com que o filme seja continuamente comparado com o original -- que dá a coincidência de ter fãs bastante apaixonados e já de cara traídos pelo PG-13 do remake.

AMOR.


Explica, em parte, a recepção negativa do filme pela crítica. Sam Hill e Jack Pooley, os dois no What Culture, por exemplo, listaram defeitos no filme que exemplificam esse problema: o primeiro, com 10 coisas que fazem que o Robocop de 2014 seja amplamente inferior ao original, e o segundo, com 10 momentos horrorosos que arruinaram o reboot de Robocop, apenas somaram motivos [de forma particularmente bem instruída] pelos quais o filme de Padilha não é o de Verhoeven. Luis Javier Capote Pérez e Jordi T. Pardo, no Zona Negativa [que publicou uma resenha coletiva], fizeram algo parecido: avaliam [ou, no caso, atacam] o filme apenas em sua relação com o anterior.

Exemplo 3.
Mas, de novo, explica apenas EM PARTE. Diversos críticos souberam diferenciar uma coisa de outra coisa e enxergaram no filme de Padilha uma idéia original mal executada. Muito embora Keith Phipps, Tasha Robinson e Scott Tobias, em debate publicado no The Dissolve, tenham partido da comparação entre os dois filmes, avaliaram o "Novocop" em seus próprios termos -- de forma negativa.

Robinson descreve o filme como “medíocre, mas um excelente remake”, mais do que “um clone brilhoso e entupido de CGI do primeiro filme”: “os dois primeiros arcos são consideravelmente mais criativos do que isso”, ainda que o terceiro seja “um filme de ação burro padrão”. Phipps diz que o filme “não funciona”. E Tobias define o filme como uma versão “falha”, “aguada e prejudicada” de combinar “o jeito de filme de ação político de Padilha” com “quaisquer que sejam as dicas de apelo para a massa que os executivos da Sony lhe deram”. “Sem nenhum senso de humor”, para piorar.

Joe Morgenstern, do Wall Street Journal, também reagiu com um “meh”: a história foi “sobrecarregada com noções pouco elaboradas sobre o militarismo dos EUA, ganância corporativa, a importância da empatia e a natureza da consciência”. O resultado é “uma aventura de ação que é rica nos gráficos, pobre na lógica, problemática na coerência e prejudicada na diversão”.

Até mesmo as resenhas positivas são contidas. Mick LeSalle, do San Francisco Chronicle foi abertamente elogioso: diz que o filme “se relaciona com tudo o que mudou na América nos últimos 27 anos, tratando de novas ameaças e explorando novas ansiedades”.  Já David Edelstein, do Vulture, descreveu o filme como “um raro caso de reboot que transcende a ganância do estúdio” e que tem algumas “Grandes Idéias” -- o que não faz dele um filme “especialmente bom”. [NFN 100MG]

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