ALAN MOORE: NO ATAQUE

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A Internet rugiu: Alan Moore deu algo parecido com uma entrevista gigantesca para Pádraig Ó Méalóid. O "algo parecido" se justifica pelo formado: Méalóid fez apenas 6 perguntas de uma linha, respondidas por Moore por escrito em um texto elaborado ao longo de pelo menos dois dias.

Nela, Moore se dedica a espinafrar de forma longa, empolada e irônica, alguém que identifica desdenhosamente como "a Batman Scholar" [Will Brooker, que escreveu uma resposta à entrevista no Sequart], Laura Sneddon [que o entrevistou recentemente para o Independent; breve resposta, aqui] e Grant Morrison, descrito como "persistente como a herpes".

O ponto de partida é Golliwogg, o politicamente incorreto personagem de Florence Upton, incorporado por Moore na Liga dos Cavaleiros Extraordinários [em 2009] com o objetivo de "tratá-lo de forma a devolver-lhe as qualidades da criação de Upton, livrando-lhe das conotações raciais que foram colocadas na figura do Golliwog por aqueles que mal-interpretaram o seu trabalho".

O passo seguinte é se defender das acusações de misoginia que comumente jogadas sobre ele; a obra de Moore é farta na violência contra a mulher, especialmente estupros. É proposital: "no mundo real, existem menos assassinatos do que estupros, crimes sexuais e violência relacionada a gênero, o que é o contrário completo da forma na qual o mundo é representado em filmes, programas de televisão, literatura ou em histórias em quadrinhos". A ideia é enfrentar o problema: "a violência sexual, inclusive estupros e violência doméstica, deveriam aparecer no meu trabalho onde fosse apropriado à determinada narrativa, sendo que a alterativa a isso seria insinuar que isso não existe, ou não acontece".

Moore, então, chega a Morrison, um dos primeiros a observar a frequência em que existe violência contra as mulheres nos gibis de Moore. O que segue é um ataque direto: Moore descreve Morrison como um pentelho que se dedica a tentar, desesperadamente, reproduzir o seu estilo e as suas ideias.

Não é bonito. Para fechar, o escritor fecha as portas: anuncia que não vai mais trabalhar ou dar entrevistas para qualquer veículo ou editora para a qual algum dos três envolvidos na polêmica tenha participado, não mais vai participar de qualquer evento relacionado ao mundo dos quadrinhos, ou dar entrevistas para veículos especializados. [NFN DIÁRIO] 

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