ART SPIEGELMAN: “O QUE EU POSSO DIZER? QUE EU NÃO GOSTARIA DE TER FEITO MAUS?”

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Art Spiegelman e a sua obra Maus são objeto de uma exposição, no Jewish Museum de Nova Iorque. Você já leu sobre ela aqui. Agora quem aproveita o gancho para entrevistar o artista é David Samuels, da Tablet Magazine. É uma revista voltada para a comunidade judia – portanto, da entrevista você pode esperar comentários sobre o que é ser judeu, ser judeu em Nova Iorque, Israel, o Holocausto, o Holocausto e a formação de Israel.

No meio disso tudo, Spiegelman também comenta as suas influências artísticas e a sombra que Maus projetou sobre a sua obra. Partindo das influências [ou melhor, DA influência: Harvey Kurtzman e Mad], Samuels faz uma breve biografia do autor: nascido na Suécia no pós-Guerra e criado no Queens [em Nova Iorque], ganhou a sua primeira Mad de sua mãe, sobrevivente de Auschwitz como o seu pai. O seu irmão Rysio não teve a mesma sorte: foi envenenado com mais duas crianças pela própria tia, que queria protegê-los dos campos de concentração.

Se você acha que isso é tragédia familiar suficiente, bom, você tem razão, mas não foi: a mãe de Spiegelman se suicidou quando esse tinha vinte anos e estava internado em um manicômio.

Sobre a sombra de Maus, Spiegelman foi mais positivo do que o costume: “O que eu posso dizer? Que eu não gostaria de ter feito Maus? Isso não é verdade. Por outro lado, eu quero que o gibi me siga por todos os lugares? Vou te dizer que tenho sorte que ele faça isso, porque me permite fazer uma bobagem depois da outra e mesmo assim ganhar royalties de alguma coisa”.

Spiegelman também comentou o seu trabalho com A Gangue do Lixo, aquelas figurinhas de monstros ranhentos que acompanhavam os chicletes da Topps: “criei elas de forma muito consciente para pegar as lições que eu aprendi com a Mad e passá-las adiante para a próxima geração. Eu não pintei elas, eu planejei elas”. [NFN DIÁRIO]

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