ROBERT CRUMB: “ESSE NEGÓCIO DE QUE TODO MUNDO PODE FICAR COM TODO MUNDO NÃO FUNCIONOU”

* * * *
Robert Crumb [+] esteve nessa final de semana em Bilbao, cidade no extremo norte da Espanha, para participar do festival La risa de Bilbao – especificamente, de uma conversa com Santiago Segura [cineasta da tetralogia Torrente, ator em O Dia da Besta, recentemente visto em uma ponta em Círculo de Fogo [+]] sobre o humor underground. Para nós, o resultado disso foram entrevistas – como essa, com Marta Caballero, publicada no El Cultural.

Crumb, na entrevista, descreve o “humor underground” como “fazer coisas que podem te dar problemas com a lei e o governo”, um “tipo de humor que só é apreciado por uma minoria, que pode mostrar a sexualidade de uma forma explícita, ser imoral e abertamente crítico” e que “por definição, nem todo mundo pode entender”.

Não pense, com isso, que Crumb está virado em um REBELDE. Mr. Natural ainda é uma sátira anti-hippismo e a imoralidade tem limite: uma das vantagens de morar na França é que seus filhos ficam longe das drogas; “até certo ponto”, diz Crumb, a indústria mainstream “tem razão, o underground não é para crianças. Quando eu desenhava essas coisas piradas faz 40 anos, não queria que elas fossem vistas pelos meus filhos”; e “esse negócio de que todo mundo pode ficar com todo mundo não funcionou. Eram necessários alguns parâmetros, uma ordem mínima”.

Sobra espaço ainda pra um pouco de otimismo: “o mercado dos quadrinhos cresceu”, “existem boas propostas individualistas tanto na América como na Europa” e até mesmo “esses gibis de super-heróis, que não me interessam nada”, “estão muito bem desenhados”. [NFN DIÁRIO]

Nenhum comentário: