O HOMEM DE AÇO, DE ZACK SNYDER: O CASO ZOD [SPOILERS E TUDO MAIS]

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David S. Goyer [+], o escritor de O Homem de Aço [+], voltou a tratar do tema “o Super-Homem não mata”. Foi na Palestra de Escritores tradicionalmente organizada pelo BAFTA [British Academy of Film and Television Arts] e BFI [British Film Institute]. Simon Reynolds, do Digital Spy voltou com um resumo -- mas a controvérsia, que causou certo ultraje entre os setores mais nerdistas-tarja-preta do mundo [estamos falando de Mark Waid [+]], merece um COMBO de links, e o NFN está aqui exatamente para isso.

Começamos pela última declaração de Goyer, que pode ser resumida em uma frase: “'o Super-Homem não mata' é uma regra que existe fora da narrativa e eu não acredito nesse tipo de regras”. A ideia de Goyer é que a regra deve ser incorporada à narrativa [cinematográfica] do herói; matar Zod foi exatamente a forma que ele encontrou para fazê-lo: “Ele, na verdade, não é o Super-Homem até o final do filme. Queríamos que ele passasse pela experiência de tirar a vida de alguém para levar isso para os próximos filmes”.

Coincide com o que o próprio Goyer e Zack Snyder [+] falaram para a revista Empire nesse podcast, posteriormente transcrito no site da própria revista por Ali Plumb e Helen O'Hara [aqui]. Especificamente aqui, aprendemos que [a] no roteiro original, Zod voltaria para a Zona Fantasma, [b] que essa era a ideia de Christopher Nolan [+] e [c] que matá-lo foi proposta de Snyder e Goyer.

Diz Snyder: “o porquê disso é o seguinte: se essa é uma história de origem, então a sua aversão à matar não está explicada. Apenas está no seu DNA. Pensei que se pudéssemos colocá-lo em uma situação impossível, forçá-lo a fazê-lo, funcionaria. Pensei que também te faria pensar 'certo, esse é o porquê ele não vai matar nunca mais'. Ele basicamente obliterou todo seu povo e a sua cultura, e ele é responsável por isso, e ele pensa... 'como poderia voltar a matar?'”.

Se tu quer pular toda essa discussão, a recomendação é esse artigo de Kofi Outlaw [e espero que isso seja um ALIAS], no Screenrant. O argumento: o debate é hipócrita, porque o Super-Homem matou Zod... no filme Super-Homem II, de Richard Donner. Assim:


Diz o artigo: “Em O Homem de Aço, o Super-Homem fica claramente atormentado pelas suas ações e precisa de Lois para confortar-se; em Super-Homem II, o Super e a Lois dão risadas e fazem piadas com o seu homicídio duplo”.

Temos que voltar para a Empire, no entanto, para um comentário final. Primeiro, assista esse vídeo, onde Kevin Smith explica o seu envolvimento com o que, posteriormente, acabou sendo Superman Lives! [+], o projeto abortado de Tim Burton [+]. Dê especial atenção para a piração de Jon Peters, o produtor do filme [não é difícil: começa mais ou menos aos 5 minutos e 45 segundos do primeiro vídeo e a parte mais importante tá no segundo].


Agora, volte para cá: “o produtor do filme, Jon Peters, queria uma luta entre um urso polar e o Super-Homem no lado de forma da Fortaleza da Solidão no filme”. Zack Snyder precisa de três parágrafos para explicar os motivos TÉCNICOS [dificuldades em lidar com a fotografia da cena; dificuldade em encontrar um urso polar vivo disposto a participar da gravação; dificuldade do urso polar em decorar o seu papel] pelos quais a ideia teve que ser finalmente descartada.

Alguém precisa parar esse homem. [WWB]

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