SPRING BREAKERS, DE HARMONY KORINE: “MADURO”, “INCOMPETENTE”, “BOSCHIANO”, “IMPRESSIONISTA”

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Nesse mês, se supõe que chegou às locadoras brasileiras o novo filme de Harmony Korine [Kids, dirigido por Larry Clark, e Gummo], Spring Breakers, que ganhou o glorioso subtítulo Garotas Perigosas.

O filme gerou quantidades consideráveis de RESENHISMO: Korine, que chegou à fama como djóvem provocador [nos anos 90 participou três vezes do programa do David Letterman, “fama”, completamente fora da casinha, até ser banido do programa por tentar furtar Maryl Steep no backstage, “djóvem provocador”], teria se transformado em uma espécie de quarentão niilista com um orçamento de 7 milhões de dólares, um elenco formado por duas princesas da Disney, Vanessa Hudgens e Selena Gomez [em modo “Miley Cirus quer ser grande”] e James Franco, além da direção de fotografia de Benoît Debie [que, com Gaspar Noé, fez Irreversível].

Na trama, a MTV se mistura com a E! e quatro amigas adolescentes aproveitam as suas férias de primavera para, no farrismo pop-colorido, dedicar-se ao sexo, às drogas e à violência. Mais ou menos assim:





Quem viu nisso niilismo de meia-idade foi J. Hoberman, do New York Review of Books: o QUARTETO, universitárias enfaticamente de fora da Ivy League, começam o filme muito “ocupadas estabelecendo o seu bravado sexual” e ignorando “aula do seu professor sobre o movimento dos direitos civis” o que “sinala que Spring Breakers tem mais em mente do que retratar o direito inalienável da juventude à festa”.

Por outro lado, John Podhoretz, do Weekly Standard, não viu nada disso no filme, que qualificou como “notável apenas pela incompetência do seu diretor-escritor”. Percebendo a referência do filme aos filmes exploitation de Russ Meyer, Podhoretz considerou o filme hipócrita: “os filmes exploitation tendem a criticar o modo de vida pelo qual eles, ao mesmo tempo, salivam. Um filme exploitation é bem sucedido ao encontrar um jeito de trabalhar isso; um ruim faz com que você perceba essa hipocrisia a todo momento. Spring Breakers é um filme pornô softcore sem um núcleo, um olhar para o coração negro da juventude americana sem forma que revela, em primeiro lugar, o seu próprio coração negro; é um retrato de racistas white-trash que se mostra mais racista que a maioria dos white-trash”.

Renn Brown, do Chud, fez o que eles fazem no Chud: resenhou Spring Breakers como um filme de terror [“O pesadelo de todo pai que escuta mentiras do outro lado do telefone”] com um propósito. As “mãos de Korine” transformam “imagens que encaixariam em um vídeo Girls Gone Wild” em algo “maior e mais escuro. O que nós estamos testemunhando é o retrato Boschiano de Korine para um inferno perpétuo de corpos molhados de licor dançando, em que abdomens bem definidos são tão confundíveis quanto cabelos loiros. A imagem reaparece no filme repetidamente, como o refrão de uma música, sugerindo um plano de existência perpétuo e descerebrado”.

O próprio Korine descreveu o seu filme nessa entrevista para Sam Adams, do AV Club – foi, no entanto, nos termos ARTÍSTICOS de Brown, e não nos políticos de Hoberman. A referência, no entanto, não foi o surrealismo grotesco de Bosch: “nunca quis fazer um filme que fosse como um ensaio, ou um documentário, ou uma síntese do mundo do spring break. Queria que fosse algo impressionista, como um poema pop, uma reinterpretação, um mash-up cultural ou algo assim. Queria que o filme fosse como usar drogas”. [NFN 100MG]

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