JOSÉ PADILHA, SOBRE ROBOCOP: "UMA CÓPIA DO ESTILO DE STANLEY KUBRICK, COM UMA LENTE GRANDE-ANGULAR QUE AS PESSOAS NÃO USAM MAIS"

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Na semana passada, foi lançado o primeiro trailer de Robocop, a nova versão do filme do nosso robô-policial favorito, dirigida por José Padilha [quem, eu não devo precisar dizer isso para vocês, dirigiu Tropa de Elite]. E Peter Sciretta, do /Film, entrevistou Padilha para tratar precisamente sobre o robô-policial.

Na entrevista, Padilha está em modo verborrágico -- o que faz com que ela, mesmo sendo [em tese] uma dessas entrevistas promocionais feitas na SDCC, seja bastante interessante. Diz o diretor que o Robocop original, dirigido por Paul Verhoeven, é único: “Não estou tentando fazer um remake”. Diversas diferenças podem ser sacadas no próprio trailer:





A primeira delas é que Alex Murphy já começa o filme com a sua personalidade. “Renascido”, ele “se constata” como um robô: é parte do drama, aparentemente, que ele não saiba até que ponto as suas ações são fruto de sua consciência. E isso faz parte de sua nova temática: o filme se passa em um futuro em que é proibido que robôs sejam usados dentro dos EUA para tarefas relacionadas à segurança [já que eles não tem consciência e são, portanto, inimputáveis pelos prejuízos que causam], embora amplamente usados em guerras; a OCP pretende contornar essa lei, colocando uma consciência humana, controlável e automatizada, dentro da máquina.

Tem mais. Começo pela classificação etária do filme: ao contrário do original, o novo Robocop não será “rated X”. Diz Padilha: “não vejo isso como a coisa mais importante do mundo, porque estou explorando conceitos filosóficos e dramáticos”, mas “não é como se tivesse alguém no set me dizendo 'não filme isso'”.

Claro que o filme não estava totalmente sob seu controle. Falando sobre o 3D, diz Padilha: “eu gravei o filme em duas dimensões. É o que eu fiz. Não controlo se vai ser convertido para o 3D ou não”. E falando em tecnicismos, para o filme foi desenvolvida um novo tipo de steadicam, que permite movimentos mais rápidos, para ser usada nas cenas gravadas em primeira pessoa [e reproduzir os movimentos que uma pessoa faz ao olhar] e que funciona com lentes grande-angulares.

O que nos deixa no que o próprio diretor descreve como influências KUBRICKIANAS. Falando sobre o momento em que Murphy acorda como o Robocop, ele diz: “é uma cópia do estilo de filmagem de Stanley Kubrick com uma lente grande-angular que as pessoas não usam mais”, “aceitando a distorção, porque é sobre a distorção mesmo. É uma versão distorcida para a pessoa, então tem um monte de movimentos de câmera lentos, uma parte do filme com um ritmo lento”. [NFN 100MG]

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