HAYAO MIYAZAKI: “FUI. DE NOVO E TAL”

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Hayao Miyazaki [+], o ÁS da animação japonesa, anunciou que vai parar de fazer filmes. É a segunda vez que ele diz isso, sendo que a anterior [logo depois do lançamento de A Princesa Mononoke, em 1997] durou um ano e resultou no seu retorno a tempo de dirigir A Viagem de Chihiro, então você não precisa ficar muito chocado.

Dessa vez, o anúncio segue o lançamento de Kaze Tachinu, seu novo filme, uma espécie de autobiografia de Jiro Horikoshi [criador do caça Zero, utilizado pelo exército japonês na Segunda Guerra Mundial], o que nos permite ESPECULAR sobre as suas motivações: elogiado pela crítica, foi noticiado que o filme causou certa controvérsia entre o público japonês por não ser o suficientemente patriótico. Seria o suficiente para detonar a vontade de Miyazaki em cuidar dos netos?



Probleminha.
O que temos de concreto é o RESENHISMO, especificamente esse, de Matthew Penney, para o The Asia-Pacific Journal. Depois de elogiar os aspectos TÉCNICOS do filme [“cada uma das sequências aéreas é ou emocionante ou horrível”], Penney descreve o tema do filme como “uma visão sobre como a paixão de Horikoshi foi capturada pelo capital e pelo militarismo, e as implicações disso na reflexão sobre a história do tecnologia e do 'longo século XX'”.

É uma história, portanto, sobre os engenheiros que colocaram as suas ambições a serviço do exército na Segunda Guerra Mundial. Penney ilustra a conclusão com um trecho do filme: em um diálogo entre Horikoshi e Castorp [exilado alemão no Japão que, de forma muito PERTINENTE, comparte nome com o protagonista de A Montanha Mágica, de Thomas Mann].

Esse informa para aquele que o Dr. Hugo Junkers, engenheiro pioneiro do campo da aviação, caiu em desgraça com “o governo” [que, no mundo real, se recusou a entregar a sua tecnologia para o governo nazista e morreu em prisão domiciliar]: “O contraste entre Junkers e Horikoshi, assim como a falta de escolhas fáceis na medida em que a indústria e o desenvolvimento tecnológico se tornam cada vez mais indivisíveis para o militarismo totalitário, se torna evidente com o desenvolvimento da história”.

“No final, esse é um dos mais ambiciosos projetos de Miyazaki”, que “consegue capturar as contradições do estado desenvolvimentista e explorar as relações entre militarismo, indústria e a ideia conhecida de que o inventor é um herói”. [NFN 100MG]

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