EXPRESSO DO AMANHÃ, DE BONG JOON-HO: "O FILME MAIS DISTÓPICO VISTO EM ALGUM TEMPO"

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No início do mês, estreou na Coréia do Sul Expresso do Amanhã, novo filme de Bong Joon-Ho, diretor dos espetaculares O Hospedeiro, Memórias de Um Assassino e Mother -- A Busca pela Verdade [subtítulo atribuído ao filme por alguém que não lhe foi imune]. Para mais FATOR NERDISTA, o filme é uma adaptação de Le Transperceneige, gibi francês de Jacques Lob e Jean-Marc Rochette.

Com previsão de estréia no Brasil para 18 de outubro, Expresso do Sul, uma co-produção Coréia do Sul/França [a produção, aliás, é de Chan Wook Park [+]] é O Último Desafio de Kim Jee-Woon [+]: falado em inglês e com atores de todo o mundo [Chris Evans, o Capitão América, é o protagonista; divide tela com Tilda Swinton e Song Kang-Ho], é a sua tentativa de saltar à fama internacional.

Ainda sem data de estréia nos Estados Unidos [duas versões para o que motiva isso: Harvey Weinstein, distribuidor do filme naquele país, pretenderia cortar 20 minutos de suas duas horas de duração OU estaria aguardando o momento propício para anunciá-lo, de olho no Oscar], o filme é uma alegoria politizada: em um futuro distópico posterior a uma catástrofe ambiental [que deu início a uma nova Era do Gelo], toda a humanidade mora em um trem de alta velocidade especialmente projetado para abrigá-la. O trem, no entanto, é divido por categorias: Evans e Kang-Ho, moradores da, digamos assim, parte econômica, decidem rebelar-se nessa versão locomotiva da luta de classes.

Veja por você mesmo:



Clarence Tsui, do Hollywood Reporter percebeu a nada sutilmensagem: "as revoluções passadas falharam por que elas não conquistaram o motor. Agora nós vamos conquistar o motor", diz o personagem de Kang-Ho, no que Tsui descreveu como "uma frase politicamente carregada com sotaque marxista que forma a base da gradual exposição que Expresso do Amanhã faz do modus operandi selvagem e distribuidor de alienação do capitalismo moderno".

Não é de se estranhar: Joon-Ho sempre foi o mais politizado e à esquerda do pack de diretores coreanos que apareceram na última década. Com eles divide, por outro lado, o TALENTO ESTÉTICO: Pierce Conran, do site Modern Korean Movies, diz que o filme funciona pela sua "assombrosa e infinitamente inventiva mise-en-scene", colocada a serviço do "desespero, violência e loucura", que fazem do filme "o mais distópico visto em algum tempo". [NFN 100MG]

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