WINSOR MCCAY, GEORGE HERRIMAN, SCOTT MCCLOUD, SETH E GRANT MORRISON: META-GIBI

* * * *
O Tebeosfera republicou um artigo de Francisco J. Ortiz, que originalmente saiu na revista Itaca [do Departamento de Filología Catalana da Universitat d'Alacant], sobre a metaficção nos quadrinhos. Metaficção, ou ficção auto-reflexiva, é esse negócio pós-moderno de brincar com a a própria linguagem do meio ao utilizá-lo. O exemplo CULTO é Jorge Luis Borges; o HUMILDE, Curtindo a Vida Adoidado.

Diz Ortiz que, nos quadrinhos, se trata de um fenômeno que surgiu com o próprio meio meio: o ponto de partida provavelmente esteja em uma tira de 1907 de Dream of the Rarebit Fiend [+], uma das primeiras hqs modernas, de Winsor McCay [+]. No caso, essa:


Desse início, o auge foi o Krazy Kat [+], de George Herriman [+], a quem Ortiz chama de James Joyce dos quadrinhos: "um gibi que não pode ser transferido a outro meio que não o dos quadrinhos, e cuja tradução a outro idioma já resulta problemática pela grande quantidade de jogos de palavras". 

O artigo passa ainda por Scott McCloud [+], dos livros Desvendando os Quadrinhos e Reinventando os Quadrinhos [onde se usa a linguagem das hqs para explicar o funcionamento da própria linguagem das hqs], Seth [que construiu It's a Good Life, If You Don't Weaken, sua principal hq, "ao redor da busca do protagonista por um desenhista esquecido, que, como ele, é canadense: Jack Kalloway, ou 'Kalo', descoberto ao azar por Seth graças à única piada gráfica que aquele publicou na página 37 da revista The New Yorker de abril de 1951"] e aquele escocês no qual todos vocês devem estar pensando desde o primeiro parágrafo, Grant Morrison [+].

Por isso e tal.

Morrison, em Animal Man [série publicada na segunda metade da década de 80, com desenhos de Chas Truog e Doug Hazlewood, além de capas de Brian Bolland [+]], escreveu a série em quadrinhos metaficional mais conhecida da história dos gibis mainstream de super-heróis de todos os tempos. Nela, o protagonista rompe a quarta parede, identifica o leitor e termina por encontrar o seu escritor, o próprio Morrison. [NFN DIÁRIO]

Nenhum comentário: