ENKI BILAL: BIOGRAFADO

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Paul Gravett, no seu próprio site, republicou o perfil que escreveu para a revista Comic Heroes Magazine sobre Enki Bilal [+], o quadrinista-cineasta que teve, nos últimos tempos, alguns gibis publicados pela Editora Nemo aqui no Brasil.

Depois de apresentá-lo com a exposição Fantasmas do Louvre [sobre a qual você, leitor atento, já leu aqui no NFN], e antes de chegar aos seus filmes e gibis, Gravett faz uma mini-biografia de Bilal. E a vida do homem de fato é PECULIAR: Bilal nasceu em 1951 em Belgrado, atual capital da Sérvia e então capital da Iugoslávia comunista de Tito, filho de uma católica checa e um muçulmano bósnio – que, depois de combater na resistência ao nazismo durante a Segunda Guerra Mundial e se recusar a ser alfaiate pessoal de Tito, fugiu do país, rumo a Paris, em 1956.

A reunião familiar ocorreu cinco anos depois, quando o resto da família Bilal fugiu da  Iugoslávia rumo à Cidade das Luzes, apenas para reencontrar o seu pai novamente casado. Nada fácil.

Mas o lado TITITI da biografia acaba em 1971, quando Enki Bilal ganha um prêmio de jovens talentos organizado pela revista Pilote, na categoria realista: já em 1972, começou a publicar uma sequência de histórias curtas na revista. Em 1975, começou a sua parceria com o roteirista Pierre Christin, com quem fez La Croisière des oubliés [O Cruzeiro dos Esquecidos, na tradução da editora Meribérica], Le Vaisseau de pierre [Navio de Pedra], La ville qui n'existait pas [A Cidade que Não Existia], Les Phalanges de l'ordre noir [As Falanges da Ordem Negra] e Partie de chasse [A Caçada].

Em 1980, um ano antes de A Caçada, Bilal começou a sua trilogia Nikopol, lançada em um volume só no Brasil pela editora Nemo [precisamente com o título A Trilogia Nikopol]. Gravett comenta que o primeiro álbum, A Feira dos Imortais, marca o abandono de sua técnica inicial, "primeiro desenhar o seu traço meticuloso em preto e branco para depois colori-lo, em favor de um esboço leve a lápis que depois é pintado com 'cores diretas'", com lápis de cera.

Sobre a TRAMA, Gravett comenta que ela é "densa, imprevisível e remunera quem presta atenção. Também é uma costura de humor negro e absurdo, da maquiagem bizarra dos políticos, ao gato Gogol alienígena, ao campeonato de boxe-xadrez".

Que virou uma coisa que existe no mundo real.

A ela, seguiu Le sommeil du monstre [sem lançamento em português] de 1998, início de uma tetralogia que marca uma mudança na sua abordagem ao desenho ["pintando de forma mais livre e gestual em quadrinhos individuais": "desenhei esboços rápidos que eu aumentei em uma fotocopiadora e então pintei, em acrílico"], e Animal'z, também publicado no Brasil pela Nemo, início de uma nova trilogia "que projeta a humanidade diante de um desafiador realinhamento do nosso planeta senciente, que foi transformado em um ambiente irreconhecível e incontrolado depois de se recuperar de um ataque feito pelo homem".

O segundo álbum dessa trilogia, Julia & Roem, foi publicado em 2011; o seu final está programado para o próximo ano. [NFN DIÁRIO]

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