SEGREDOS DE SANGUE, DE CHAN WOOK PARK: "IMAGINE ALFRED HITCHCOCK ADAPTANDO A FAMÍLIA ADAMS"

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Você aí, DESAVISADO: sexta-feira passada não foi apenas dia 14. Estreou no Brasil Segredos de Sangue [Stoker, no original: sim, existe uma relação com Bram Stoker], novo filme do diretor sul-coreano Chan Wook Park. É o seu primeiro a ser gravado em RÓLIUDI, com Mia Wasikowska [a Alice, do Alice no País das Maravilhas de Tim Burton [+]] e Nicole Kidman [a Nicole Kidman, de a Nicole Kidman].

Se você não sabe quem é Chan Wook Park, PREOCUPE-SE e tome umas referências nas paletas: Park dirigiu Oldboy, ganhador do Grand Prix de Cannes em 2004 [ano em que o festival foi presidido, não por acaso, por Quentin Tarantino [+]] e filme que Scott Tobias, do AV Club, analisou para a seção THE NEW CULT CANON. É um TOP-TOP-TOP do CINEMA VINGATIVO:

"Tem mais em Oldboy do que o filme aparenta. Ou ao menos existe tanto quanto a aparência. É uma ópera É uma tragédia grega. Dos filmes da trilogia [da vingança] de Park [Mr. Vingança, Oldboy e Lady Vengeance, todos lançados no Brasil], é o que melhor expressa a deliciosa satisfação da vingança e o seu vazio também [...]. Na visão de Park, quando um homem carrega a vingança em seu coração, não existe espaço para mais nada; enquanto algumas pessoas podem responder a uma perda através de reflexão e luto, um vigilante sofre de uma miopia trágica e consumidora".

Você se faria um favor considerável assistindo esses filmes.

Para mais sobre Park, fique no AV Club mesmo e leia essa entrevista, de Keith Phipps, em 2008, pelo lançamento de Thirst, seu filme de 2009 sobre um PADRE VAMPIRO. Nela, Park fala sobre o seu passado como estudante de filosofia: "É verdade que eu estudei filosofia por que eu queria ser um crítico de arte, mas nunca consegui ser um crítico de arte. Me tornei um diretor de cinema, mas, não foi bem sucedido com meus dois primeiros filmes, então tive que tentar ser um crítico de cinema para ganhar a vida. Então, estudar filosofia, para mim, foi um tipo de treinamento para ter a atitude certa em relação ao ato de pensar". 

Especificamente quanto a Segredos de Sangue, o CRITICISMO JORNALÓIDE ficou dividido. Por um lado, Olly Richards, da Empire, capitaneou a turma do ALTOSMASSA: "Imagine Alfred Hitchcock adaptando a Família Adams, de forma não especialmente fiel, e isso te dá uma ideia do clima do excelente primeiro filme em inglês de Chan Wook Park -- um filme de terror bastante maduro. Não é o tipo de filme de terror que balança motosserras por aí e persegue jovens garotas pela floresta. É muito mais inteligente que isso".

A mesma linha segue Richard Roeper, do Chicago Sun-Times: "O assustador e estiloso e agressivamente estranho Segredos de Sangue começa e termina e nos leva através de uma jornada chocante para nos fazer aterrissar bem onde começamos, agora vendo cada detalhe com lentes diferentes. É perturbadoramente bom".

Fato incontroverso: o poster brasileiro
é sem graça.
Por outro lado, a CRÍTICA NEGATIVA viu nesse ESTILISMO todo uma certa RIGIDEZ empolada. Não acredite em mim e leia a resenha de Joe Morgenstern, do Wall Street Journal: O Sr. Park, um coreano virtuoso da brutalidade e do terror [...] faz com que a história de India Stoker [Wasikowska, a protagonista] seja intrigante, até certo ponto, um estudo sobre sexualidade reprimida e destino violento que é montado com imagens impactantes. No entanto, a espontaneidade foi banida pela estilização rígida, e o resultado líquido é tão sem vida quanto uma cabeça decepada que aparece em freezer no porão".

Ou Rick Groen, do Globe and Mail: "Park está ocupado tratando cada frame como uma modelo de passarela, vestindo-os com camadas autoconscientes de haute couture cinemática. É lindo de se ver, mas também parece seco -- apático, sem gosto e, no final das contas, sem sentido".

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