GUERRA MUNDIAL Z: "O MAIOR E MAIS DÓCIL FILME DE ZUMBI JÁ FEITO"

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Amanhã estréia no Brasil Guerra Mundial Z. Imagino que você precise de RESENHISMO.

Começo por te dar as CREDENCIAIS do filme: um] foi dirigido por Marc Forster, o mesmo diretor de Mais Estranho que a Ficção; dois] no curso de sua produção, J. Michael Straczynski [+], roteirista original e responsável moral pela série Babylon 5, foi demitido e o seu roteiro, descartado [ainda que para colocá-lo nas mãos do onipresente Damon Lindelof [+], de Prometheus [+] e Lost].

E comecei assim apenas para ter o que tirar das tuas mãos com esse artigo, de John Boot, do PJ Media: Boot argumenta que Guerra do Mundial Z é apenas Brad Pitt em "Paycheck Mode". A ideia é que com o fim da franquia Ocean's Eleven, Pitt precisava de uma nova FONTE DE RENDA SEGURA -- e foi aí que o filme e o seu orçamento estourado de 200 milhões de dólares entrou na jogada. As evidências? O filme se concentra na EXECUÇÃO, não nos CONCEITOS: o único motivo para assisti-lo é ver Pitt superar os obstáculos digitais; a ausência de coadjuvantes interessantes: os personagens se limitam a assistir a Pitt; e o roteiro chinfrim.

Por outro lado, também era uma oportunidade
única de viver um mocinho que passa o filme
todo de cachecol.

Mas pode ser que Boot esteja apenas em um dia ranzinza, o que nos leva ao RESENHISMO propriamente dito. Pra começo de conversa, temos esse texto, de A. A. Dowd, do AV Club. Dowd descreve Guerra Mundial Z como o maior filme de zumbis de todos os tempos -- no que se refere ao FATOR BLOCKBUSTER: "feito por quase 200 milhões de dólares, o filme passa por diversos continentes, inundando as ruas de grandes cidades com centenas, talvez milhares de extras". O problema é que isso tudo tem um preço: ninguém despejaria todo esse dinheiro em um filme que não fosse TODOS OS PÚBLICOS, o que faz de Guerra Mundial Z "não apenas o maior, mas também o mais dócil dos filmes de zumbi já feitos".

Momento mais extreme-hardcore do filme.

Se você está se perguntando onde o livro original [compare no Buscapé/Bondfaro] de Max Brooks se encaixa em tudo isso [sim, Guerra Mundial Z é a adaptação para o cinema de um livro], a resposta é: em lugar nenhum. Como Dowd explica, a semelhança entre as duas coisas é "passageira", e o filme transforma em uma narrativa linear com um protagonista claro o que, no livro, era uma coletânea de relatos fictícios em primeira mão da explosão da GRANDE GUERRA ZUMBI.

Para Joe Morgenstern, do Wall Street Journal, o filme sequer se prestará como fonte de renda para os próximos anos de Pitt: depois de uma produção tumultuada e do orçamento estourar, "sugerir que Guerra Mundial Z seja o início de uma franquia é, na melhor das hipóteses, dúbio". Mas como a nossa preocupação é com o filme, e não com a conta bancária de Pitt, podemos ficar feliz em saber que mesmo assim o filme é "uma divertida ruína de ficção científica, dirigida por Marc Forster em um impressionante 3D, que se mantém de pé como uma poderosa visão do caos planetário". [NFN 100MG]

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