CARLOS PACHECO REPASSADO

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Abel Ippólito e Fernando García García, do Tebeosfera, entrevistaram Carlos Pacheco, novo desenhista da série Captain America [+] escrita por Rick Remender [+], e repassaram toda a sua carreira.

E eu disse TODA: A entrevista é looooooonga e quando chegamos a Dark Guard, seu primeiro trabalho internacional [para a Marvel UK], já estamos na segunda página.

De forma bastante resumida, vamos com eles: depois de Dark Guard, Pacheco passou brevemente pela DC [duas edições do Flash de Mark Waid [+]] e caiu no UNIVERSO MUTANTE. Primeiro, com uma a minissérie Bishop para a Marvel ["cheia de defeitos por todas as partes, olho para ela e penso como eu pude fazer algo assim, mas também encontro uma energia que é a energia da pessoa que começa"], depois por X-Universe, Starjammers [com roteiros de Warren Ellis [+]: "tentei fazer um Jornada nas Estrelas da Marvel"], até finalmente chegar a X-Men, uma das duas principais séries do SELO X [e na época, roteirizada por Joe Kelly [+]].

Nessa, tem-se uma MUDANÇA no traço de Pacheco: segundo ele, pela troca de arte-finalista e pela sua tentativa de se aproximar ao amerimanga, "um grande erro". Dedos foram apontados para os arte-finalistas da série, que parece usar a "técnica japonesa": "se a arte-final tradicional usa o punho, o japonês usa o cotovelo", citando como referências Jim Lee [+] e Scott Williams, o que "fazia que as figuras ficassem mais angulosas".

A solução foi cair fora dos X-Men para "corrigir a dissonância": ficou fácil, considerando que a isso se transformou em desenhar Vingadores Eternamente, de Kurt Busiek [+] [surfando na fama pós-Marvels], com arte-final do igualmente espanhol Jesus Merino [+], e a série do Quarteto Fantástico, roteirizada pelo próprio e de novo arte-finalizada por Merino.

Esse último movimento DENUNCIA o CALIBRE da importância de Pacheco na época: prestes a se somar à iniciativa Gorilla Comics [editorial independente capitaneada por Busiek e Waid], Bob Harras [+] ofereceu para Pacheco... O QUE ELE QUISESSE. E o que ele quis foi os desenhos e os roteiros de Quarteto Fantástico e que a série Uncanny X-Men [+] passasse para as mãos de Salvador Larroca [+], e tudo isso foi prontamente atendido.

MAS, como nem tudo são flores, chegou Joe Quesada e acabou com a festa [fez Pacheco perdeu o interesse em trabalhar pela editora, diante da "ruptura com a tradição dos super-heróis"], o que o levou Pacheco para a DC -- especificamente, para Arrowsmith, projeto originalmente pensado para a Gorilla Comics, no qual renovou a parceria com Busiek.

Depois de Arrowsmith, vieram as séries JSA/JLA: Virtue and Vice, Green Lantern e Superman/Batman: Absolute Power. Essa última, com uma ABORDAGEM FLEISCHERIANA [com volume, mas sem músculos definidos, ao contrário da versão de Ed McGuinnes, o cânon do período, cartunesco, amerimanga e hiper musculososo, que "não tinha sentido, porque o Super-Homem não faz abdominais, se fosse gordo teria os mesmos poderes"], que não é a mesma do seu trabalho na série regular Superman, onde citou como referências José Luis García Lópes [+] e Ross Andru ["principalmente nos personagens femininos"].

A saída da DC foi através de Final Crisis [adjetivada com "coisa caótica" e "desastre"]. O retorno à Marvel se deu com Ultimate Avengers ["mais naturalista do que realista, tento abandonar a pose dos super-heróis e uma série de estereótipos e clichês que eu não gosto"], X-Men: Schism [com Jason Aaron [+]] e Ultimate Thor [com Jonathan Hickman [+], e onde Pacheco tentou homenagear a GALERA DO METÁU NÓRDICO].


Esgotada a carreira, a entrevista também passa por CONSIDERAÇÕES NARRATIAVAS E ESTÉTICAS [Pacheco curte o uso de planos inclinados, a ausência de fundos nas cenas de ação], críticas à colorização [especificamente a Ultimate Avengers #1, onde o colorizador substituiu o seu artifício de profundidade, colocar personagens caindo na mesma direção que o ponto de fuga dos prédios do cenário, de forma a transformar "as linhas dos prédios em linhas cinéticas", por um "'blur' muito bonito, mas que destruiu o trabalho", como você vê aí do lado].

[NFN DIÁRIO]

                  

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