RIP DAN ADKINS: THE DAY AFTER DOOMSDAY

[NFN DIÁRIO #237]                                        * * *                                                [22/5/2013]

O falecimento de Dan Adkins, um dos desenhistas da Marvel original [desenhou, entre outros, o Doutor Estranho pós-Ditko [+]] e colaborador de Wally Wood [+], quase que passou despercebido. David Spurlock recebeu a notícia, posteriormente publicada no Comics Beat:

Fui para Reading, na Pennsylvania, ontem para jantar com [Jim] Steranko [+] e Adkins. Nem eu, nem Steranko, conseguimos falar com Adkins. Depois da janta com Steranko, voltei para Nova Iorque apenas para receber uma ligação de Steranko, que recém tinha tomado conhecimento, a partir do filho de Adkins, de que Dan partiu desse mundo na semana passada. Além de crédito por diversas outras coisas, incluindo T.H.U.N.D.E.R. Agents, Dr. Strange e grande parte da melhor arte-final já feita para a Marvel, Adkins serviu como diretor de arte na Marvel, foi uma peça chave no lançamento de Wizend de [Wally] Wood, e também foi o mentor de vários jovens artistas, como Paul Gulacy, Val Mayerik e P. Craig Russell. Se sentirá sua falta.

Na mesma postagem, o Comics Beat também divulgou uma nota publicada por P. Craig Russell no seu perfil do Facebook:

Fiquei muito triste ao ser avisado hoje da morte de Dan Adkins. Como todo mundo que o conhece diria, ele era um personagem e tanto.

Ele foi o melhor assistente/colaborador que Wally Wood já teve. O seu trabalho como arte-finalista de artistas como Barry Windsor Smith e Gil Kane [+] foi incomparável. A sua série do Dr. Estranho para a Marvel Comics no final dos anos 60 foi publicada juntamente com o trabalho de seu melhor amigo, o Nick Fury, Agent of Shield, de Jim Steranko. Quando era estudante do ensino médio, eu acompanhava essas séries a cada mês, enquanto os dois disputavam um com o outro quem conseguia atordoar mais o leitor. Foi no ensino médio que eu conheci o office-boy de Dan e descobri que Dan morava a poucos quilômetros de mim, na periferia de East Liverpool, em Ohio. Foi através desse pequeno estúdio que Dan me entregou, ao lado de Val Mayerik e Paul Gulacy, as nossas carreiras.

O seu próprio trabalho nas séries da Warren Comics, nas revistas Creepy e Eerie, na metade dos anos 60, pouco depois que ele deixou o estúdio de Wally Wood, foi o seu auge, e permanece como uma inspiração nos dias de hoje. Cada história era um exercício diferente em técnicas de arte-final, como nanquim aguado, hachura, retícula, etc. A sua página de título para The Day After Doomsday [aí do lado; na abertura do post, você viu a primeira página da história], uma virtuosa mostra da transposição dos tons de cinza de uma foto em centenas de marcas feitas a caneta e hachura para criar uma textura e luz se transformou em um estímulo constante para mim, uma marca que tentei alcançar sem nunca conseguir.

Te digo: The Day After Doomsday, originalmente publicada na revista Eerie #8, de 1967, é um bom exemplo das histórias publicadas pela Warren no período: oito páginas de um futuro pós-apocalíptico, onde o “herói” [as aspas se justificam porque, como é comum nas revistas da história, a dúvida sobre a capacidade do protagonista em assumir o papel de herói é parte da trama] enfrenta monstros mutantes convenientemente parecidos como lobisomens [os caras curtiam os monstros clássicos: lobisomens e vampiros são HABITUÊS] e se dirige a um PLOT-TWIST final. Funciona como versão irônica de uma típica aventura romântica [o herói, o mundo acossado por monstros, a dama em perigo, etc] e se justifica, com sobras, pela arte hiper-detalhada, hachurada e escura, de Dan Adkins.

                  

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