"O QUE LOVECRAFT CRIOU FOI UMA IDEIA ESPECÍFICA DO SÉCULO XXI: O UNIVERSO COMO ALGO VAZIO E MATERIALISTA, NO QUAL NÃO EXISTE SIGNIFICADO ESPIRITUAL EM QUALQUER AÇÃO E NO QUAL A EXISTÊNCIA HUMANA NÃO É SIGNIFICATIVA DE FORMA NENHUMA"



[NFN 100MG #53]                                         * * *                                                  [23/5/2013]

H. P. Lovecraft tá bombando: o escritor americano, originalmente FULMINADO pela crítica [Edmund Wilson, em Tales of the Marvellous and the Ridiculous, como se o título não fosse suficiente, escreveu: "O único horror" nas histórias de Lovecraft "é o causado pelo mau gosto e pela arte ruim"] está passando por uma espécie de REVIVAL. Além de gibis escritos por Alan Moore [+] e da incorporação de seus Ancient Ones ao CÂNONE POP, estão sendo lançadas novas edições de suas obras e livros biográficos.

Como parte deste ESFORÇO, Jesse Nevins e Brian Kim Stefens, CRÍTICOS e NERDS, resenharam a nova edição da coletânea The Classic Horror Stories [especificamente, a introdução de Roger Luckhurst] e o livro Weird Realism: Lovecraft and Philosophy, de Graham Harman, respectivamente, para o Los Angeles Review of Books.

Você pode buscar as INFORMAÇÕES PERTINENTES, que vão LADEADAS por páginas da adaptação para os quadrinhos de alguns de seus contos desenhadas por Alberto Breccia, depois do PULO.


Começando pelo segundo, Stefens escreve para falar sobre essa ATENÇÃO CRESCENTE, descrevendo a obra do autor de forma incidental:

Cada uma das histórias de Lovecraft parece ao mesmo tempo uma improvisação absurda, tirando coisas da cartola apenas para encher o espaço das colunas de uma revista pulp, e uma cuidadosa extensão do seu princípio básico, de que humanos, se nós tivéssemos acesso à verdadeira natureza do universo, recuariam de terror diante do minúsculo papel que desempenhamos nele e o do quanto o universo não parece se importar. Ele frequentemente apresenta uma nova espécie inteira de formas de vidas antigas, mas prósperas, ao mesmo tem que confirma, frequentemente com referências curtas ou uma frase repetida, os persistentes poderes de alguma criatura ou artefato cultural previamente apresentado, principalmente o monstro Cthulhu ou as escrituras do "árabe louco Abdul Alhazred", contidas no Necronomicon. A sua obra, expressada em fragmentos (Lovecraft nunca escreveu uma novela) deu origem a uma grande quantidade do que se chama de "fan fiction" (até mesmo quando estava vivo, escritores como Clark Ashton Smith e August Derleth dedicaram as suas carreiras a ampliar o universo Lovecraft), mas pouco mais do que condescendência por parte de seus intelectuais contemporâneos.

Guernica versão TERROR CÓSMICO
Já Nevins expõe a explicação de Luckhurst para a escrita de Lovecraft...

O melhor de tudo é a análise de Luckhurst ao que ele chama de "questão pesada" relativa ao estilo de Lovecraft. A explicação de Luckhurst do deliberado mau uso que Lovecraft dá para a linguagem ("os adjetivos se movem em bandos, flanqueados por itálicos e pontos de exclamação que contam mais do que mostram") se apóia na perspicaz observação de que Lovecraft usa catacrese ("o mau-uso deliberado da linguagem, como em metáforas mistas"). Luckurst explica que Lovecraft era, na verdade, preciso no uso do vocabulário, que "o poder do estranho rasteja para fora das frases por causa do estilo bizarro. Essas repetições constroem um ritmo encantatório, amarrando a forma literária barroca ao conteúdo filosófico. Conceitualmente, partir o mundo exige partir a linguagem e as convenções do realismo".

...passa a se perguntar por que alguém gosta disso...

Luckhurst pergunta mas não responde a questão sobre o que atrai os leitores para o trabalho de Lovecraft. Alguns dos motivos são óbvios: a inteligência, imaginação e a qualidade das melhores histórias de Lovecraft; a sua novidade, não havia nada como elas sendo escrito; e elas permanecem diferentes, depois de todas essas décadas; e a emocionante sensação de escrita inteligente em demonstração. Outros motivos são menos óbvios: a perversa atração da espécie de niilismo cósmico de Lovecraft; a sua habilidade em retratar e suscitar desgosto, medo, e outras emoções catárticas negativas; e a forma pela qual o universo de Lovecraft pode ser adotado ou cooptado, de forma séria ou de brincadeira, por outros escritores, por leitores e por jogadores.

                  

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