DAREDEVIL, DE MARK WAID E CHRIS SAMNEE: “WAID PERMITE QUE SAMNEE NOS MOSTRE O QUE ESTÁ ACONTECENDO, ENQUANTO NOS É DITO O QUE O PERSONAGEM ACHA QUE ESTÁ ACONTECENDO”

[NFN DIÁRIO #240]                                        * * *                                                [29/5/2013]

Daredevil, de Mark Waid e Chris Samnee
Tucker Stone resenhou Daredevil [+], a série do DIABO ATREVIDO da Marvel, atualmente roteirizada por Mark Waid [+] e desenhada por Chris Samnee [+]. É apenas um parágrafo, mas em um parágrafo DAQUELES:

Me parece bastante irritante que a fase de Mark Waid em Daredevil acabou indo para o mesmo lugar foda-se-os-amigos-de-Demolidor para o qual todo mundo sempre vai, mas principalmente porque existiam uma sensação de orgulho imerecido vazando da série, como se fuder com o amigo gordo fosse cosmicamente diferente de fuder com uma de suas colegas de cama, quando a verdade real é que o principal motivo na troca de gênero é porque o Demolidor não tem mais ex ou atuais namoradas para mutilar. Não ajudou que Marcos Martín [+], o nome que explode no meu cérebro cada vez que alguém diz que Frank Quitely [+] é o novo Cristo dos desenhos e super-heróis, caiu fora da série, para ser substituído por Chris Samnee, um cara que inicialmente pareceu ter provado que você pode construir uma carreira inteira desenhando rascunhos de Todos os Seus Heróis Favoritos em convenções. Quem diria. A série foi indo com a sua subtrama imbecil sobre câncer e a sua megatrama ainda mais imbecil quem-está-fudendo-você, e então, alguns meses atrás, encontrou suas pernas. Samnee se provou capaz de fazer composições de páginas muito mais interessantes do que o seu trabalho inicial na Marvel, histórias que, em retrospectiva, nunca exigiram dele muito mais do que mover os personagens de um muito óbvio ponto A para um mais óbvio ainda ponto B, enquanto que Waid encontrou um tipo de beleza poética em brincar com o diálogo interno do Demolidor de forma primária com a limitada (e estranha) informação que os seus sentidos fornecem. Até mesmo nas edições iniciais de Martin e [Paolo] Rivera [+], essa série usou o "sentido de radar" principalmente como um efeito legal, um recurso rápido que mostrava uma explosão ou um golpe como uma série de anéis concêntricos reverberando nas paredes. Mas aqui, Waid permite que Samnee mostre para o leitor o que ESTÁ acontecendo, enquanto nos é dito o que o personagem acha que está acontecendo e na edição mais recente do gibi, é um casamento desconfortável e inquietante. Nós vemos para onde as coisas estão indo antes do Demolidor, testemunhando a certeza e a fluidez pela qual a derrota se aproxima, e assistindo ele aprender isso, de um jeito pulp e bobo, de partir o coração. É uma combinação interessante, um gibi onde duas pessoas se empurraram a se tornar melhor do que são, conseguiram, e agora estão colhendo os frutos de uma parceria bem sucedida. É um gibi da Marvel que é distribuído com muita frequência, então quando ele começar a sair dos trilhos não vai ser uma grande surpresa. Mas não se espera que dure, certo? Todo mundo tem que ir pra casa em algum momento.

                  

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