JACK KIRBY: "DESVIA DA RETÓRICA LIBERAL SOBRE PROBLEMAS SOCIAIS E RETORNA À FUNÇÃO BÁSICA DOS QUADRINHOS"

[NFN DIÁRIO #216]                                        * * *                                                [22/4/2013]

Barry Pearl publicou em seu blogue uma matéria do New York Times sobre os quadrinhos -- gostar deles era VANGUARDA em 2 de maio de 1971. 

Embora Saul Braun, o escritor do texto, tenha cometido alguns erros FACTUAIS [um bom exemplo de que bastava ser um leitor de quadrinhos para ser considerado um especialista na matéria], o seu artigo é um interessante retrato da empolgação produzida pelo surgimento da Marvel:

Os anti-heróis em quadrinhos de [Stan] Lee [+] [...] revolucionaram uma indústria que levou uma surra da crítica e da televisão nos anos 50. Por décadas, escritores e desenhistas de quadrinhos eram considerados pouco mais do que parte da linha de produção, virtualmente intercambiáveis. Agora, Lee e o seu ex-colaborador, Jack Kirby [+] da National Comics, a principal rival da Marvel, são considerados estrelas, e o seu trabalho reflete uma crescente sofisticação na indústria que atraiu leitores jovens e antigos.

Nós estamos em uma renascença, diz Carmine Infantino [+], diretor editorial da National Comics, e oferece uma prova disso em um curso da Brown University em Providence, proposto por estudantes e chamado "Comparative Comics". O seu anúncio defende a proposta dos quadrinhos como um exemplo de Native Art.

[...] Quanto a Fellini, o seu interesse nos quadrinhos americanos, e o trabalho de Stan Lee especificamente, não é algo passageiro. Como introdução do History of Comics, de [Jim] Steranko [+], ele escreveu as seguintes linhas:

Não satisfeitos com serem heróis, mas se tornando ainda mais heróicos, os personagens da Marvel sabem como rir de si mesmos. As suas aventuras são anunciadas publicamente como um espetáculo larger-than-life, cada um deles buscando, de forma masoquista e dentro de si mesmo, um tipo de maturidade, e mesmo assim os resultados não são nada que possa ser ignorado: é uma história brilhante, agressiva e de retaliação, uma historia que continua a renascer pela eternidade, sem medo dos obstáculos e dos paradoxos. Nós não podemos morrer por obstáculos e paradoxos, se os enfrentamos rindo. Apenas de chatice podemos morrer. E da chatice, por sorte, os quadrinhos mantém distância.

...e com os Novos Deuses, de Jack Kirby:

O artista que produziu o trabalho mais inovador par Infantino é Jack Kirby, de 53 anos, sobre quem Stan Lee diz: "Ele é um dos gigantes, um verdadeiro titã. Ele teve uma influência tremenda na área. A sua arte tem muito poder e drama, e conta a história belissimamente. Não importa o que ele desenhe, parece empolgante, e é disso que se trata".

Ao contrário dos gibis "relevantes", a nova linha de Kirby desvia da retórica liberal sobre problemas sociais e retorna à função básica dos quadrinhos: descrever de forma empolgante e criativa como o poder opera no mundo, a disputa por alcançá-lo por parte daqueles que não o tem e o uso que lhe é dado por aqueles que o tem.

Kirby começou a conceber os seus novos gibis quando ele ainda estava na Marvel, mas pensou que ele não conseguiria autonomia editorial suficiente. Ele deixou o seu trabalho na Marvel, de US$ 35.000,00 ao ano, e levou as suas séries para a National. Ele também se mudou de Nova Iorque para o sul da Califórnia, onde edita, escreve e desenha as séries.

Os seus novos heróis são o Povo da Eternidade, que ele descreve como "o outro lado, o grupo das pessoas abaixo de 30. Eu tenho mais de 50. Não tenho experiência pessoal com a contracultura. É tudo da imaginação".

                   

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