FLANNERY O'CONNOR: TÁ DE PARABÉNS



[NFN 100MG #48]                                         * * *                                                  [2/4/2013]

25 de março não é apenas um lugar pra se comprar BUGIGANGAS: também é a data de aniversário da escritora americana Flannery O'Connor [+]. Falecida em 1964, com apenas 39 anos, O'Connor nos deixou apenas duas novelas [Wise Blood e The Violent Bear It Away] e uns quantos contos [reunidos em uma edição bonitona da Cosac Naify], o suficiente para se tornar conhecida pelo humor negríssimo, pelos personagens bizarros e pela sua adequação a uma pauta PÓS-PÁSCOA. 

Fora que tem um gibi, publicado pela Fantagraphics \o/

Se você não está entendendo nada, um bom ponto de partida para sacar O CHARME e TUDO MAIS de O'Connor é esse artigo de Ralph C. Wood, na National Review.

O'Connor nasceu, viveu e morreu na Geórgia, onde DESENVOLVIA as suas histórias. Isso, somado à bizarrice dos personagens fez com que nossos amigos da CRÍTICA ESPECIALIZADA a enquadrassem, junto a gente como Cormac McCarthy [como Meridiano de Sangue me ensinou] e William Faulkner [como a Wikipedia me garantiu] como uma Southern Gothic, sub-gênero literário caracterizado, precisamente, pelas histórias ambientadas no sul dos Estados Unidos [BIDUZÃO] e protagonizada por personagens PERDIDOS NA CURVA em situações MEIO RUINS ALI.

Sobre isso, você pode ESCUTAR a explicação da própria O'Connor. Se você é um AMANTE DO SILÊNCIO [a.k.a. está no trabalho], esse outro link te leva para uma transcrição do Departamento de Inglês da University of Texas. As COORDENADAS:

Sempre que me perguntam porque os escritores do sul tem uma propensão específica para escrever sobre freaks, eu digo que é porque nós ainda somos capazes de reconhecer um. Para ser capazs de reconhecer uma aberração, você tem que ter algum tipo de concepção sobre um homem inteiro, e, no sul, a concepção geral sobre o homem ainda é, em grande parte, teológica. Isso é uma afirmação de peso, e é perigoso fazê-la, já que quase tudo que você diz sobre a fé do Sul pode ser negado ato seguido de forma igualmente correta. Mas abordando a questão desde o ponto de vista do escritor, acho que se pode dizer que o sul não é muito centrado em Cristo, mas assombrado por Cristo. O sulista, quando não está convencido, tem muito medo de que ele possa ter sido formado à imagem e semelhança de Deus. Fantasmas podem ser ferozes e instrutivos. Eles projetam sombras estranhas, especificamente na nossa literatura. De qualquer forma, quando uma aberração pode ser percebida como uma imagem da nossa deslocação essencial é que ela tem alguma profundidade literária.

Se nada disso fez muito sentido para ti, fique com a DECODIFICAÇÃO de Wood:

Para diferenciar desvios e distorções  O'Connor explicou, você precisa ter primeiro uma visão clara da Norma. O Sul rural e "assombrado por Cristo", como ela o chamou, manteve essa visão porque a imaginação popular se manteve essencialmente bíblica. Quando a religião popular é moldada pela narrativa bíblica, de criação e queda, da eleição de Israel e da encarnação de Cristo, de crucificação e ressurreição, da Igreja como o próprio povo de Deus e da Segunda Vinda como a consumação da história, então até mesmo aquele quase-analfabeto tem para si o critério definitivo para medir a si e a todo resto.

                  

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