EVIL DEAD, O REMAKE DE FRED ALVAREZ PARA O FILME DE SAM RAIMI: "POUCA ALMA PARA SER ENGOLIDA"


Evil Dead, Fred Alvarez

[NFN 100MG #50]                                         * * *                                                  [18/4/2013]

Amanhã estréia no Brasil o novo A Morte do Demônio, remake de Evil Dead dirigido pelo uruguaio Fred Alvarez [de Panic Attack!] com roteiro parcialmente reescrito por Diablo Cody [a ex-stripper canadense que também escreveu Juno e Garota Infernal], com o apoio moral de ninguém mais ninguém menos do que o próprio Sam Raimi [+]. É caso para NFN 100 MG.

O resenhismo foi tão abundante quanto CONTIDAMENTE positivo. O novo Evil Dead foi ACUSADO de não ter o CHARME do original, bem exemplificado nesse anúncio britânico protagonizado pelo próprio Raimi e por Jonathan Ross [+] de sua sequência, Evil Dead II [há meses esperava a oportunidade para compartilhar esse vídeo: a todos que me acompanharam nessa jornada, o meu muito obrigado]:



Começamos a TRILHAR O CAMINHO DO RESENHISMO por uma fonte nerd-artê: especificamente, esse artigo de Ted Scheinman, no Los Angeles Review of Books, que acusa o filme de não ser especialmente "surpreendente ou provocador", o que deve ter deixado Alvarez meio decepcionado, ao mesmo tempo que defende a sua "inteligência":



[…] Evil Dead de Fred Alvarez [...] está cheio de som e fúria, por não falar de golpes mortais, confusões fatais e, por fim, o espectro da castração. Escrito por Alvarez e Diablo Cody (que se colocou em evidência graças ao mérito de um filme muito indie chamado Juno), o roteiro do relançamento certamente oferece recompensas mais ricas do que o do original de 1981. A mais engenhosa delas é que é sob a sombra de um reabilitação que Alvarez e Cody consignam seus personagens na cabana na floresta obrigatória: a irmã de David (Shiloh Fernandez), Mia (Jane Levy), é uma usuária de heroína reincidente, então David e seus amigos se reúnem para guiar Mia através de três dias de abstinência. Esse conceito, colocar o estado alucinatório de privação de heroína contra o fenômeno relacionado da possessão demoníaca, é muito inteligente. Especificamente, ele coloca Mia como a garota que gritou "lobo": quando ela começa a ver seres da floresta vestindo roupas de noite, ninguém acredita nela porque ela está clinicamente delirante e é uma covarde viciada cheia de artimanhas. Não é até que é tarde demais que o irmão de Mia e seus amigos se dão conta do que está acontecendo, momento no qual Mia não é mais a Mia (no lado positivo, o toque de Satanás parece ser uma cura bastante confiável para o vício em heroína).

Sofisticado.

Você aí pensando que é forçar a barra buscar resenhismo de A MORTE DO DEMÔNIO em um VEÍCULO TÃO ARTÍSTICO, surpreenda-se: o resto do CRITIQUISMO é um pouco mais SEVERO.

No /Film [em uma resenha intitulado "Gore to spare, but little soul to swallow"], Russ Fischer comentou:

Então o roteiro, de Alvarez e Rodo Sayagues, com um polimento quase imperceptível de Diablo Cody, começa de um jeito decente. Mas quando o mal acorda, a história não consegue segurar os seus próprio impulsos. Novas ideias são equilibradas com recriações de momentos memoráveis dos dois primeiros filmes de Raimi. Cada uma delas é mais gore e pegajosa que as originais de Raimi, mas poucas parecem de fato pertencer à história. Rapidamente formei uma lista mental de cenas memoráveis de Evil Dead para conferir, enquanto parecia óbvio que essa versão estava fazendo a mesma coisa.



Está na Internet, logo deve ser verdade.

Sonny Bunch, o nerd de plantão do Free Bacon, concluiu a sua resenha [título: "Melhor morto", percebam a ESPIRAL DESCENDENTE] dizendo que não existe nada de errado em ser medíocre -- o que não é exatamente um bom sinal:

Infelizmente, os nossos protagonistas estão infectados com a mais mortal doença de filmes de terror: Ebola, AIDS e malaria não são nada se comparados com a Síndrome da Pessoa Burra (SPB).

O Evil Dead original conseguiu evitar cair nessa armadilha ao fazer com que os curiosos exploradores da cabana simplesmente ligassem uma fita de áudio de um estudioso explicando as origens do Necronomicon (o Livro dos Mortos). No transcorrer de sua discussão, ele fala as palavras amaldiçoadas, liberando um mal desconhecido nos visitantes que não sabem de nada. Dispositivos de funcionamento de trama elegantes como esse estão lamentavelmente ausentes do remake.

Se isso já era o suficientemente ruim para ti, Nick Schager, do Vulture, partiu do novo A Morte do Demônio para escrever um artigo sobre o porque o conceito de remake de filme de terror é ERRADO. Uma decepção que condena um filão desses só pode ser sincera:

Você pode fazer um remake de Evil Dead, como o diretor Fede Alvarez fez (com o selo de aprovação do criador Sam Raimi, nada menos), mas nem toda a sangueira demoníaca em excesso do mundo vai te deixar reproduzir o icônico herói Ash, de Bruce Campbell. Esse é apenas um problema irritante que plaga essa nova entrada na longa e depressiva lista de remakes de terror lamentáveis que, até mesmo mais do que as novas versões de dramas e comédias, estão normalmente destinados ao fracasso. Nenhum gênero se apóia de forma mais contundente no elemento surpresa. Então, tentar reproduzir material que já chocou e aterrorizou o público é a tarefa de um tolo, como as últimas duas décadas de terror recauchutado mais do que habilmente confirmam.

O resenhismo é unânime.
HAIL TO THE KING!

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